O general Lott e o ministro Toffoli (Foto: Adriano Machado/Reuters)


As revelações de hoje da Vaza jato, publicadas pelo The Intercept Brasil alteram a tese de que a decisão de Dias Toffoli da semana passada, paralisando processos nos quais dados do Coaf foram repassados ao Ministério Público sem aval da Justiça, protegeu o filho do presidente Jair Bolsonaro.

É mais grave que isso.

Em conversa no Telegram de 8/12/2018, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol, comenta com os colegas procuradores o escândalo das movimentações suspeitas nas contas de Flávio Bolsonaro e de Fabrício Queiróz ao tempo em que o filho do presidente era deputado estadual no Rio de Janeiro:

“E se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos”?

O “rolo dos empréstimos” é o cheque de R$25 mil de Queiróz depositado na conta de Michelle Bolsonaro, mulher do presidente e que Bolsonaro justificou, sem mostrar provas, como parte de devolução de empréstimo seu de R$40 mil a Queiróz.

Um dos procuradores da força-tarefa, Antônio Carlos Werter confirma o raciocínio de Dallagnol e avança mais uma casa no cenário em que poderá redundar:

“O $$ terminou na conta da esposa. Vão argumentar que alimentou a campanha. Periga terminar em AIME”.

AIME é Ação de Impugnação de Mandato Eleitoral. O que o procurador afirma é que o episódio tem potencial para cassar o mandato presidencial.

Foi esse perigo que Toffoli adiou para novembro.


Brasil 247

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