Diálogo sob medida para promover Moro a herói e desgastar o PT
O suposto tesoureiro da organização criminosa trava um improvável diálogo em que Sergio Moro fica bem na fita e o PT, mal.
Quem vazou esse diálogo para os dois veículos?
Uma dica: A Polícia Federal está sob autoridade de Moro.
Um dos áudios vazados teria saído de uma interceptação telefônica feita em um presídio estadual do Paraná.
Que coincidência: o Paraná de Sergio Moro.
Diz o repórter da Record:
“Era nesta cadeia que funcionava a tesouraria da facção criminosa paulista.”
O áudio foi vazado depois que a Polícia Federal desencadeou uma operação nesta semana, em que 28 pessoas foram presas em sete Estados.
Um homem acusado de tráfico, Júnior Nunes Gonçalves, conhecido como Facínora, teve uma conversa divulgada em que diz:
“O que eu não posso, mano, é ficar parado, sabendo aí, que tem aí 700 a 800 mil de compromisso e ajuda a serem pagas, aí, ao comando aí.
Para um homem que tem o apelido de Facínora, ele conjuga bem o verbo “a serem pagos”. Mas este não é um problema. O Facínora fez bem a lição de casa.
Ele também faz referência a uma frase de John Kennedy, quando diz na gravação divulgada:
“Eu aprendi que o que eu tenho que ver é o que eu vou fazer pelo Comando, e não o que o Comando vai fazer por mim”.
Kennedy, num discurso histórico, disse algo parecido, mas em relação aos Estados Unidos.
O repórter informa que Facínora tinha ligação com outro preso, Alexsandro Pereira, conhecido como Elias, que seria tesoureiro nacional do PCC.
Em uma gravação, Elias diz:
“Nós tiramos a liderança, vai dar uma balançada. Aí, dá uma balançada por quê? Porque outros vão ter que assumir o lugar daqueles que saíram. Só que também tem um ponto de interrogação. Quem vai assumir no lugar daqueles que saiu não têm autonomia do que os que saiu tem.”
O vazamento ainda apresenta uma fala sobre o PT. É um diálogo perfeito para promover Moro a herói da história.
“Os caras começou a mandato agora, irmão. Agora que eles começaram o mandato. Já mexendo diretamente com a cúpula, irmão. Em quem está na linha de frente. Os caras já chegam falando o quê? Com nós já não tem diálogo, não, mano. Se vocês estavam tendo diálogo com outros… que estavam na linha de frente, com nós já não vai ter diálogo, não. Esse Moro aí, mano, esse cara é um (fala um palavrão). Esse cara é um (outro palavrão) mesmo, mano. Ele vem pra atrasar. Ele começou a atrasar quando foi pra cima do PT. Pra você ver que o PT com nós tinha diálogo. O PT tinha um diálogo com nós cabuloso, mano.”
A conversa, aparentemente despropositada, não tem descrição de fatos. São apenas palavras jogadas no ar, que constroem um enredo sob medida para pretensões políticas de Moro.
No mínimo, estranho.
O PT divulgou nota para rebater o que considera “notícia forjada:
“Esta é mais uma armação como tantas outras forjadas contra o PT, e vem no momento em que a Polícia Federal está subordinada a um ministro acuado pela revelação de suas condutas criminosas. Quem dialogou e fez transações milionárias com criminosos confessos não foi o PT, foi o ex-juiz Sergio Moro, para montar uma farsa judicial contra o ex-presidente Lula com delações mentirosas e sem provas. É Moro que deve se explicar à Justiça e ao país pelas graves acusações que pesam contra ele.”
Como nos tempos em que era juiz, a imprensa falou por Moro.
DCM

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