Os que acompanham aqui nesse espaço os meus comentários sobre a cadeia global do petróleo e sua geopolítica, devem se lembrar sobre as minhas referências ao atual momento do Brasil nesse circuito econômico, onde passou a viver uma "nigerização". Não se trata de um menosprezo ao país africano, mas à sua realidade de país exportador da commodity petróleo cru.

Pois bem, o Brasil a partir de um processo vivenciado desde 2016 (após o golpe institucional) passou a reduzir o refino no país (refinarias com capacidade ociosa entre 30% e 40%), ao mesmo tempo que passou a exportar grandes volumes de petróleo cru (cerca de 2 milhões de barris por dia) e importar também enormes volumes de combustíveis e derivados, em especial diesel dos EUA (mais de 1 milhão de barris por dia).

Para dar mais ênfase a isso que venho chamando de "nigerização" apresento abaixo um comentário feito no boletim "Anotações, petróleo, gás e geopolítica", produzido pelo ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli e divulgado ontem em sua rede, sobre a realidade da Nigéria, um país que é grande produtor de petróleo (mais de 2 milhões de barris por dia), mas vende quase tudo in-natura, ao mesmo tempo em que importa quase todo o combustível que consome no país africano.


O Brasil caminha para essa mesma realidade. As refinarias no Brasil estão sendo vendidas já ociosas. O setor de refino mesmo aberto ao exterior desde o fim do monopólio promovido por FHC, na década de 90, nunca recebeu um projeto de nova refinaria destas players do setor.

Hoje, os possíveis compradores das 8 refinarias da Petrobras à venda comandam redes globais de produção e comércio de derivados e combustíveis e se interessam apenas pelo mercado brasileiro de consumo de combustíveis um dos maiores do mundo.

Os fundos financeiros e bancos ao adquirirem, indiretamente, esta rede de distribuição e consumo através do controle da BR Distribuidora, vão agora decidir sobre o parque de refino brasileiro, não com interesse na produção de valor industrial dessa atividade e sim, através do controle da demanda e do mercado consumidor brasileiro que passam a comandar quase totalmente, a partir de agora.

Portanto, considerando o porte de nossa produção e do nosso mercado consumidor, bem maior que a da Nigéria, o "case" brasileiro já transforma o termo "nigerização", na expressão "brasileirização" em que o Brasil vai deixando de ser nação e retornando à condição de colônia, numa espécie de "condado" ou "protetorado" dos EUA.

Isso não se sustentará. O Brasil precisa e vai retomar o seu projeto de Nação.




Blog do Roberto Moraes

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