Promotora do MP do Rio diz que porteiro mentiu, mas não esclarece como o registro de entrada traz o número da casa de Bolsonaro



Anotação no registro de entrada do condomínio com o número "58". Foto: reprodução rede Globo

O engavetador mais rápido do Centro-Oeste: menos de 24 horas depois de o Jornal Nacional apontar que os registros do condomínio onde mora Jair Bolsonaro mostravam que os suspeitos de matar a vereadora Marielle Franco foram à “casa 58” (a casa do presidente), o procurador-geral da República, Augusto Aras, anunciou que a citação do presidente nas investigações foi arquivada. A PGR alegou que a decisão está em “segredo de Justiça” e que os detalhes não serão divulgados.

Horas antes, a promotora Simone Sibílio, coordenadora do Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público do Rio de Janeiro, havia afirmado que o porteiro “mentiu” em seu depoimento à polícia.

“Por que o porteiro lançou o número 58? Pode ser por vários motivos, que serão apurados. O fato é que as ligações comprovam que Ronnie Lessa é quem autoriza e que Élcio Queiroz vai para a casa de Ronnie Lessa. [O porteiro] mentiu. Isto está comprovado com a prova técnica. O porteiro foi ouvido duas vezes”, disse Sibílio. O ex-policial militar Queiroz, e o sargento aposentado da PM Lessa, vizinho de Bolsonaro no condomínio, são os principais suspeitos de terem cometido o crime.
A promotora diz que o porteiro mentiu, mas não explicou como é que o registro de entrada mostra o número 58 anotado ao lado da placa do Logan de um dos suspeitos de matar Marielle
“Por que o porteiro deu este depoimento, se ele se equivocou, se ele esqueceu, se mentiu, qualquer coisa pode ter acontecido. Então ele pode esclarecer novamente. Por que ele deu este depoimento, evidentemente isso será checado. Mas o que importa é que quem autoriza a entrada é o Ronnie Lessa”, cravou a promotora. “É o executor do crime autorizando o outro executor. Eles se encontram ali e partem para a empreitada criminosa para matar Marielle Franco e Anderson Gomes.”

A promotora não explicou, porém, como é que o registro de entrada do condomínio mostra o número 58 anotado ao lado da placa do Logan de Élcio (confira a reprodução no alto deste texto). É importante lembrar que a anotação, feita como é de praxe em qualquer portaria de condomínio fechado, ocorreu antes do assassinato da vereadora –e meses antes de Bolsonaro ser eleito presidente da República, já que Marielle foi morta no dia 14 de março.

Segundo o Jornal Nacional, o porteiro informou em seu depoimento que Élcio Queiroz anunciou que iria não à casa de Lessa, mas à de número 58 do Vivendas da Barra, a residência de Bolsonaro no Rio. Ainda segundo o programa da Globo, o porteiro afirmou ter interfonado para a casa do então deputado federal e que “seu Jair” havia autorizado a entrada do visitante.
Aras justificou que a citação a Bolsonaro foi arquivada porque é “um factoide”. “O que existe agora é um problema novo, o factoide que gerou um crime contra o presidente”, disse o procurador-geral
Augusto Aras justificou que a citação a Bolsonaro foi arquivada porque é “um factoide”. “O que existe agora é um problema novo, o factoide que gerou um crime contra o presidente”, disse o procurador-geral à Folha de S.Paulo. Segundo Aras, o MP fluminense havia enviado ao Supremo o relato do porteiro e, junto com ele, também as gravações das ligações entre a portaria do condomínio e as casas apontadas pelo porteiro. “Não há menção ao presidente”, garantiu o PGR.

O arquivamento da menção a Bolsonaro pela procuradoria não paralisa as investigações no Rio sobre os demais suspeitos.

Com informações da Agência Brasil



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