O ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, no topo à esquerda, empregou mãe e esposa no gabinete de Flávio. O sargento PM Élcio, expulso da corporação em 2015 por envolvimento com bicheiros, dirigiu o automóvel do qual foram disparados os tiros que mataram Marielle. Josinaldo Lucas Freitas, o Djaca (boné preto) é acusado de jogar no mar as armas usadas no assassinato de Marielle e Anderson. O ex-PM Fabrício Queiroz é suspeito de ajudar a enriquecer Flávio Bolsonaro no mercado imobiliário. As contas de campanha de Flávio ficaram com Valdenice de Oliveira Meliga, irmã de Alan e Alex Rodrigues de Oliveira. Os PMs gêmeos foram presos na operação Quarto Elemento, acusados de extorsão. Flávio publicou a foto da festa de aniversário dos gêmeos, à qual compareceu com o pai, com a legenda: "Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!". As fotos foram publicadas nas redes sociais.


A afirmação categórica do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro de que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra mentiu não pode ser factualmente comprovada, revela reportagem de Ana Luiza Albuquerque e Italo Nogueira publicada na Folha de S. Paulo.

Isso porque o MPE-RJ não realizou perícia no computador onde ficavam os arquivos de áudio das ligações entre a portaria e as casas do condomínio, aquele ao qual o vereador Carlos Bolsonaro teve acesso — os investigadores, aparentemente, não.

Foi o síndico do condomínio quem entregou as gravações à polícia civil em 7 de outubro, de acordo com a Folha.

Porém, a perícia foi feita às pressas, no dia 30, depois que o Jornal Nacional vazou informações sobre o inquérito que corria em segredo de Justiça.

Bolsonaro teria recebido a informação sobre a menção a seu nome do governador Wilson Witzel, em 9 de outubro.

No dia 17, procuradores do MPE-RJ teriam consultado o presidente do STF, Dias Toffoli, sobre o assunto, em Brasília.

No domingo, 27, o colunista Elio Gaspari publicou nota dizendo que o caso Marielle poderia parar no STF pela citação a um nome com foro privilegiado.

Na segunda, 28, Carlos Bolsonaro divulgou na conta do pai o vídeo do leão com as hienas — posteriormente, o vereador atribuiu ao próprio pai a postagem. O presidente da República estava no Oriente Médio.

O vídeo provocou reação imediata do decano do STF, Celso de Mello, que disse que Bolsonaro não era um “monarca”.

Na terça, 29, o JN noticiou a menção a Bolsonaro, que rebateu na madrugada da Arábia Saudita.

No dia 30 o MPE-RJ incluiu uma procuradora bolsonarista na entrevista coletiva.

A procuradora Simone Sibílio desmentiu o porteiro sem que uma perícia tenha sido feita no computador ao qual o filho do presidente, Carlos, teve acesso.

A edição pura e simples, se cortou alguma coisa, dá pra fazer [apenas com a cópia]. O arquivo pode não estar editado, mas pode ter sido trocado. Tem ‘n’ coisas que aí não é a perícia no áudio, é a perícia da informática. Para ver se não foi alterada a data ou qualquer outra coisa nesse sentido, tem que ter acesso ao equipamento original. A perícia vai lá, faz um espelho, e pericia o espelho, para garantir a idoneidade da prova.
A declaração é de Leandro Cerqueira, presidente da Associação Brasileira de Criminalística, à Folha.

A reportagem da Folha traz outra revelação interessante: a mulher de Ronnie Lessa fotografou a planilha com o registro de entrada de Élcio Queiroz na casa 58, de propriedade do então deputado federal Jair Bolsonaro.

Fotografou e enviou a imagem para o marido pelo celular.

A foto foi descoberta quando a polícia conseguiu desbloquear o aparelho de Lessa, depois que ele e Élcio foram presos, acusados de matar Marielle e o motorista Anderson Gomes.

Agora está comprovado que ambos se encontraram na noite do crime e partiram do condomínio Vivendas da Barra para cometer o duplo homicídio, o que negavam anteriormente.

Também está comprovado, por depoimento da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao atentado, que em 2017 o vereador Carlos Bolsonaro quase teve um enfrentamento físico com um assessor da vereadora Marielle Franco, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Eles eram vizinhos de gabinete.

Marielle interveio e ameaçou chamar a segurança da casa.

“De lá para cá, Carlos parou de entrar no mesmo elevador em que estivesse Marielle ou outra assessora negra da vereadora. Segundo antigos assessores da vereadora, Carlos só entrava no elevador quando estavam assessores brancos de Marielle”, narrou o colunista Guilherme Amado, da revista Época.

Ronnie Lessa, acusado de ser o autor dos disparos que mataram Marielle, alugava uma casa luxuosa na mesma rua que o deputado Jair Bolsonaro, a rua C.

A casa foi alvo de busca e apreensão. No automóvel blindado, a polícia encontrou 60 mil reais. Investigadores supõe que Lessa estava prestes a fugir.

Foragido está o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais, Adriano Magalhães da Nóbrega.

Ele sumiu em 22 de janeiro de 2019, junto com outros seis alvos da Operação Os Intocáveis, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).

Adriano empregou mãe e esposa durante um longo período no gabinete do deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio, mesmo depois de ter sido expulso da PM por envolvimento com o crime organizado.

Ele foi alvo de duas homenagens de Flávio, uma delas enquanto estava preso, acusado de homicídio.

Mereceu algo inédito da parte de Jair Bolsonaro: o então deputado federal não só compareceu ao julgamento em que Adriano foi condenado em primeira instância, como fez um discurso na Câmara Federal denunciando testemunhas que ajudaram a condenar o PM.

A condenação foi revertida.

Os métodos de Bolsonaro, aparentemente, não mudaram.

O nó da história continua sendo a planilha que registra as entradas na portaria: como os assassinatos ainda não tinham acontecido, o porteiro não tinha nenhum motivo para inventar ou confundir 58 com 65.

Todos os outros dados conferem, menos um.



VIOMUNDO

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