Há uma brincadeira, antiga, que explica aqueles dedinhos apontados para cima que turistas americanos põem quando tentam sambar: é que não querem que lhe vejam os pés, desajeitados e incapazes para a dança.
Este governo, do ponto de vista de suas (in)capacidades de lidar com situações desastrosas é como o gringo na pista: precisa apontar o dedo para que não lhe vejam a inépcias de suas ações e omissões.
Pega fogo a Amazônia? Demita-se o diretor do Inpe que o registrou pelos satélites. Depois diga-se que foram os índios, as ONGs, o motoqueiro que andava de varinha incendiando a beira das estradas…
Agora, o óleo. Não é nada, não é nada…e era muito: 2.500 km de costa atingida.
Agora, O Globo mostra que havia um plano para emergências assim-Documento oficial mostra que plano para conter óleo deveria ter sido acionado 41 dias antes -mas que só seis semanas depois do que deveria ele foi acionado.
Todo este tempo, a cabeça de nossas autoridades, como ocorreu com a queima da floresta, ocupou-se em imaginar “culpados” por uma “ação ideológica” de desmoralização do país.
Primeiro o vazamento de uma plataforma venezuelana, já que Maduro é seu alvo principal. Quando se demonstrou que as águas do mar se deslocam em sentido inverso ao que poderia trazer óleo de lá, mudaram a teoria: o malvado embarcou óleo num navio-fantasma e, “de sacanagem”, lá em alto mar, mandou despejar o óleo, contando que ia se espalhar por todo o litoral brasileiro.
O comandante da Marinha, em declaração pública, dizer que não havia qualquer indício de participação do governo e de empresas da Venezuela no vazamento, claro, não veio ao caso, e Bolsonaro foi usar a OEA como palco de seus delírios.
Mas ainda era pouco: o picareta siderado que está desmontando os órgãos ambientais brasileiros, ontem, acusou ninguém menos que o barco do Greenpeace de ter espalhado o petróleo quando passou pelo litoral brasileiro… Levou um puxão de orelhas de Rodrigo Maia e se desdisse continuando a dizer…
Talvez a metáfora de norte-americanos no samba não seja a melhor. Assemelham-se mais a um motorista que, com a família ferida num acidente, em lugar de socorrê-la, vai discutir sobre a culpa da batida antes de cuidar dos feridos,
Enquanto isso, descoordenados, pondo a saúde em risco, sem orientação e apoio para agir, milhares de brasileiros acorrem às praias, para tirarem a massa pastosa das areias e das pedras.
Vai chegar a hora em que vão despoluir não só praias, mas o Brasil emporcalhado por governantes que não amam o seu país.

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