Segundo testemunha, Vitória Silva é uma mulher trans que vive em uma ocupação na região da Mooca e foi agredida ao recusar cliente que queria fazer sexo sem pagar
Esquina da Rua do Hipódromo e Ipanema, perto de onde Vitória foi atacada | Foto: reprodução/GoogleMaps
Ao receber a recusa, o agressor pegou o rosto de Vitória e começou a bater contra um veículo. Na sequência, a vítima caiu no chão e o homem passou então a dar chutes na cabeça. Segundo uma testemunha, o agressor a chamou de “demônio” antes de iniciar o espancamento. Por fim, o homem, ainda não identificado, fugiu.
Segundo a advogada Juliana Hashimoto, que acompanhou a única testemunha do caso ao 8º DP (Brás), onde foi registrada a ocorrência como lesão corporal e injúria, Vitória vive em situação de vulnerabilidade, tem a saúde frágil e está muito machucada. “Ela ficou desfigurada. Nos preocupou muito porque passadas mais de 24 horas ela ainda tinha marcas de sangue no rosto, dava a impressão que tinham feridas abertas ainda, que faltava um cuidado maior”, conta.
No B.O. está registrado que o agressor “tentou fazer sexo” com a vítima sem pagar. Questionada se isso não seria uma tentativa de estupro, a advogada concordou. “Se ela no exercício da profissão [de garota de programa], negou o cliente porque ele não queria pagar,ele estava forçando o sexo sem pagamento, então é um abuso, sim”, declarou.
Vitória está internada no Hospital Municipal João XXIII, na Mooca, e, de acordo com Juliana, existe uma suspeita de tuberculose então ela está em observação e sendo mantida em local apartado dentro da unidade de saúde.
A advogada Juliana Hashimoto ainda destaca a dificuldade que teve para conseguir garantir o registro da ocorrência, fundamental para que o IML (Instituto Médico Legal) possa fazer o exame de corpo de delito. “Fomos no 18º DP (Alto da Mooca), que seria a delegacia mais próxima dos fatos, e não conseguimos registrar a ocorrência porque informaram que era ponto facultativo. Eu questionei porque era segunda-feira ainda e não véspera de Natal, mas mesmo assim não registraram a ocorrência, disseram que só estava funcionando a delegacia on-line e tivemos que ir até o 8º DP”, contou.
Procurada, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou, em nota, que “no 18° DP foi feito o encaminhamento à Central de Flagrantes (8°DP), que funciona 24 horas, inclusive em feriados, pontos facultativos, finais de semana, para que a autoridade policial requisitasse os exames periciais, fundamentais para as investigações de ocorrências como essas” e que o caso está sendo investigado.
Ponte Jornalismo

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