Sindicato dos Advogados de São Paulo afirma que o caso "não pode ser tratado como um infeliz acidente, mas como mais um episódio de um método de segurança que criminaliza e ataca cidadãos periféricos, pobres e negros"

Publicado por Redação RBA

DANIEL ARROYO/MÍDIA NINJA
Moradores protestaram contra ação policial que deixou nove mortos em Paraisópolis


São Paulo – O Sindicato dos Advogados de São Paulo afirma que o governador João Doria (PSDB) deve ser responsabilizado no caso do massacre de Paraisópolis, “pelo incentivo de uma política de falsa segurança baseada na violência”, que culminou na morte de nove pessoas, após ação policial que emboscou frequentadores de um baile funk, na madrugada de sábado para domingo (1º) . “O ocorrido não pode ser tratado como um infeliz acidente, mas como mais um episódio de um método de segurança que criminaliza e ataca cidadãos periféricos, pobres e negros”, diz a entidade, em nota publicada nesta segunda-feira (2).

A ação dos policiais foi classificada como “abusiva” pelos advogados, que se solidarizaram com as famílias e amigos das vítimas. Eles destacam que vídeos divulgados por moradores e frequentadores da festa mostram policiais militares encurralando e batendo violentamente nos jovens, com cassetetes e chutes. O sindicato vai acompanhar as investigações sobre o ocorrido, e diz esperar que “a justa responsabilização dos agentes envolvidos” leve a mudanças de postura das autoridades, entre elas o governador.

Os advogados destacam ainda que uma ação como esta seria “inimaginável” em uma festa realizada em área nobre ou com ingressos caros. “A juventude periférica também tem direito a diversão e a criminalização de sua cultura deve ser substituída pelo diálogo e construção de políticas públicas que permitam o pleno exercício da cidadania por estes jovens.”

Em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, destaca que a “Polícia Militar de São Paulo precisa apurar com máxima celeridade, transparência e rigor a sequência dos acontecimentos e a cadeia de comando de uma operação que, até aqui, fugiu de todos os padrões de excelência que marcam a corporação. Não é possível transigir com o descontrole da tropa empregada na operação”.

“Na toada de populismos autoritários, a ação destrambelhada em Paraisópolis acontece dias depois do Governador João Doria publicar a sua Política Estadual de Segurança Pública sem qualquer meta de controle de uso da violência por parte das polícias. Por tudo isso, a PMESP deve evitar o canto da sereia do tempo social e não pode se sentir autorizada a abandonar o investimento de décadas no profissionalismo e na supervisão da atividade policial”, afirma Lima.


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