Pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra também que no primeiro ano de governo Bolsonaro caiu o percentual dos que preferem o regime democrático
Publicado por Redação RBA
Dos que avaliam Bolsonaro como ótimo/bom, 61% diz que a democracia é sempre a melhor forma de governo. O índice sobre a 63% entre aqueles que o avaliam como regular, e 62% para quem o considera ruim/péssimo. MARCOS CORREA/PR
São Paulo – A democracia perdeu espaço no primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro. Pesquisa Datafolha divulgada hoje (1º) mostra que 62% dos entrevistados considera que a democracia é sempre melhor que qualquer outra forma de governo. O percentual é menor que o do levantamento anterior, feito em 5 de outubro de 2018, semana do primeiro turno das eleições. Na ocasião, o apoio era de 69%.
A democracia é sempre melhor para 85% dos entrevistados com nível superior e para 81% dos que têm renda familiar mensal superior a dez salários mínimos. O índice é de 48% entre os que cursaram apenas o ensino fundamental e para 53% dos que ganham até dois salários mínimos.
O apoio ao regime democrático é menor também entre os que perderam seu emprego e já nem procuram mais recolocação: 42%. Em compensação, 80% dos apoiadores está entre o funcionalismo público. A categoria está na mira de políticas do governo Bolsonaro.
A pesquisa revela também aumento no índice de indiferença quanto à forma de governo. Para 22% dos entrevistados, tanto faz se o governo respeita a democracia ou se é uma ditadura. Na pesquisa anterior era 13%. A ditadura “em certas circunstâncias” ainda é apoiada por 12% dos entrevistados.
Democracia X Bolsonaro
Entre os entrevistados que consideram Jair Bolsonaro como ótimo/bom, 61% entende que a democracia é sempre a melhor forma de governo. O índice aumenta entre os descontentes: 63% entre aqueles que avaliam como regular, e 62% entre quem o avalia como ruim/péssimo.Os entrevistadores perguntaram se há alguma chance de uma nova ditadura no Brasil. Para 49% dos entrevistados, não há nenhuma chance de uma nova ditadura no Brasil – índice maior que os 42% da pesquisa anterior. Para 46%, há sim essa possibilidade, sendo que 21% considera a chance alta, 25% fala em alguma chance. Não souberam responder 5%.
No levantamento de 2018, 31% dizia haver muita chance e 19% considerava pouca a chance de uma nova ditadura. Dos participantes, 8% não soube responder.
O legado da ditadura civil-militar que vigorou de 1964 a 1985 também foi abordado na pesquisa. Opinião de que o legado é negativo vem crescendo desde 2014, segundo o Datafolha. Eram 46% naquele ano, passando para 51% em 2018 e 59% em 2020. O dado mostra um descompasso entre a população e o presidente, que exalta a ditadura e, principalmente, torturadores e a tortura.
O instituto ouviu 2.948 pessoas nos dias 5 e 6 de dezembro, em 176 municípios de todo o país. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

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