O professor de ciência política da UnB, Luis Felipe Miguel, alerta para o perigo das candidaturas avulsas. Ele diz: "é a porta aberta para a tabatização geral da política, em benefício de lemmans e hucks." Ele ainda diz: "Quem mais ganha (...) são as celebridades da mídia e os donos do dinheiro"
(Foto: Agência Câmara)
O professor publicou a reflexão em seu Facebook:
"Áurea Carolina co-assina artigo hoje em defesa das candidaturas avulsas - chamadas, a meu ver cachorramente, de "candidaturas cidadãs". Por quê? Partidos não podem representar a cidadania?
O argumento é que esses candidatos, que se agrupariam em listas de avulsos, teriam melhores condições de representar minorias - mulheres, indígenas, LGBTs etc.
Ninguém nega que as estruturas partidárias em geral impõem obstáculos a integrantes de grupos minoritários. Mas a solução é implodir os partidos?
Quem mais ganha com a personalização da disputa e a ausência de compromissos programáticos abrangentes, que as candidaturas avulsas promovem? Não há dúvida: as celebridades da mídia e os donos do dinheiro.
A filiação partidária impõe compromisso ao candidato, faz com que ele responda publicamente por um projeto que o transcende. O controle das direções partidárias sobre a apresentação de candidaturas, com todos os problemas que tem, força negociações e é um freio às ambições dos detentores de visibilidade pública ou capital econômico.
Com as candidaturas avulsas, tudo isso, que no Brasil já é muito frágil, desapareceria de vez.
Os grandes ganhadores seriam as iniciativas de captura empresarial da política, tipo RenovaBR, Acredito, RAPS. É a porta aberta para a tabatização geral da política, em benefício de lemmans e hucks.
No Congresso, esse contingente de eleitos "soltos", comprometidos apenas com a própria carreira, desorganizaria de vez os trabalhos parlamentares - que têm os partidos como unidade fundamental.
Áurea Carolina deve saber do que está falando - afinal, tem formação em Ciência Política. É uma boa deputada, com registro consistente à esquerda. Mas esse entusiasmo com a candidatura avulsa é revelador de um mal que atinge uma parcela considerável de militantes da nova geração: personalismo excessivo, pouca disposição para o trabalho por excelência de construção coletiva que é o partido.
Este é o drama do PSOL. Cronicamente incapaz de cumprir seu "destino manifesto" - ser o sucessor do PT como porta-voz de uma esquerda anti-establishment e enraizada no movimento popular - parece sempre condenado a ser mais um guarda-chuva de porta-vozes de bandeiras progressistas do que propriamente um partido político."
Brasil 247

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;