Apesar do beicinho de setores de extrema-direita, das TFPs da vida, opus dei, o encontro desta semana entre o ex-presidente Lula e o papa Francisco significou uma santa aliança civilizatória.

O papa e Lula eram representantes de duas instituições aliançadas: a Igreja Católica e o PT no Brasil, um dos países ainda mais católicos do planeta.

O catolicismo enfrenta uma debacle no País, que assiste ao avanço das igrejas neopentecostais.

A partir do golpe de Estado, em 2016, a eleição de Jair Bolsonaro (sem partido), os neopentecostais marcham para uma virada numérica em cima dos católicos.

Segundo o Datafolha, 50% dos brasileiros ainda se declaram católicos no Brasil ante 30% neopentecostais.

A título de comparação, nos anos de 1970 os que se diziam católicos eram 90% da população brasileira.

Por que a santa aliança entre PT e Igreja Católica? Ora, a história explica.

Decorre do cristianismo e do judaísmo as primeiras noções modernas de leis, direitos, direitos humanos e sociedade civil organizada.

Como Eva, “que nasceu da costela de Adão”, os partidos de esquerda no Brasil nos anos 70 saíram do ventre da Igreja Católica. Vide a AP (Ação Popular), que depois virou PCdoB.

As greves no ABC paulista, sob liderança de Lula, no final dos anos 70, também tiveram o dedo da Igreja Católica, bem como o aparecimento das pastorais operárias, sindicatos, associações de moradores, movimentos pela redemocratização e a fundação do PT em 1980.

Portanto, a santa aliança entre PT e Igreja Católica não visa canonizar Lula, como imaginam os fundamentalistas, mas uma cruzada civilizatória de impacto no Brasil e no mundo. A conferir.


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