Discurso de Lula aponta único caminho para derrotar o golpe, por para fora o governo fascista e impedir a destruição do País.
Lula no evento dos 40 anos do PT Foto: Cláudio Kbene
Lula foi enfático em chamar o povo às ruas em discurso proferido na noite do último sábado em atividade comemorativa pelos 40 anos do Partido dos Trabalhadores.
“Não temos muita alternativa. Estão destruindo tudo o que montamos, além da subserviência ao governo americano. Se não formos para a rua lutar e resistir, estaremos perdidos”, declarou o ex-presidente para um público de mais de 5 mil pessoas que participavam do evento na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro.
O fundamental no discurso de Lula é que de um ponto de vista prático ele se coloca no campo oposto de parte da direção do seu próprio partido, que está abertamente em defesa da constituição da frente ampla – uma aliança com partidos e políticos golpistas, como o DEM, PSDB, Fernando Henrique Cardoso, Rodrigo Maia – com o propósito de derrotar Bolsonaro eleitoralmente, como se esses partidos e políticos não fossem os “pais” do bolsonarismo no País.
A frente ampla é um beco sem saída para os explorados do País. É uma política que atende os interesses da própria direita em se reciclar diante da população – profundamente desgastada pelo golpe de Estado e pela polarização política do país e, ao mesmo, tempo, permitir a consolidação do regime político saído do golpe.
É uma tentativa de constituir um bloco da esquerda com o “Centrão” sob o pretexto de unir todas as forças “progressistas” contra o fascismo.
Como bem apontou Lula, o caminho para derrotar o golpe, a direita e o fascismo no País só pode ser sair às ruas. Não há como barrar a destruição do Brasil, a liquidação do patrimônio brasileiro, o desemprego e o subemprego que já atinge mais de 50% da mão-de-obra economicamente ativa, a liquidação dos já minguados direitos democráticos da população, a liquidação do direito à aposentadoria, da educação, da saúde, dos direitos trabalhistas, enfim uma política de terra arrasada levada à frente pela extrema-direita.
É por isso que ir às ruas necessariamente implica em defender anulação dos processos fraudulentos contra o ex-presidente e a restituição dos seus direitos políticos, por um lado. Por outro, implica em lutar pelo Fora Bolsonaro, a expressão política de toda a política do golpe de Estado no Brasil. A luta pela plena liberdade de Lula e o fora Bolsonaro fazem parte de uma mesma política para derrotar o golpe de 2016, única saída progressista para a esmagadora maioria da população.
Diário Causa Operária

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