Cláudia Collucci, hoje, na Folha, mostra um estudo do Conselho Nacional de Saúde que contabiliza em R$ 20 bilhões a perda de recursos do setor desde 2016, quando se aprovou o fim da à vinculação do gasto mínimo de 15% da receita da União com a Saúde, na famigerada “PEC do Teto”.

Isto é um sexto dos recursos destinados às ações de Saúde, hoje em R$ 120 bilhões.

É um dos poucos textos que vi dando importância a este drama e traz dados impressionantes, nestes tempos de pandemias: a vacinação, sozinha, perdeu 600 milhões em um ano. O sarampo, ao que parece, está de volta, ajudado pelos terraplanistas sanitários, que repudia a vacinação.

O valor investido, per capita, em Saúde, segundo o economista e vice-presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres), Carlos Ocké, que chegou a R$ 595 em 2014, passou a ser de R$ 555.

Ontem, na fila de um hospital público para pegar uma senha para exames de acompanhamento, foi inevitável pensar no que seria daquelas pessoas que aguardavam ali, na manhã chuvosa, esperavam que os cartões plastificados não se esgotassem antes de chegar a sua vez, se o coronavírus chegar aqui com a força que está chegando a muitos países.

Collucci cita a reportagem do NY Times que conta a história de uma das famílias norte-americanas apavoradas com a conta que resultou da suspeita de que estaria infectada: US$ 3.918, ou quase R$ 18 mil reais.

Nos jornais americanos, Donald Trump pede incentivos do Federal Reserve ao mercado financeiro, ao mesmo tempo que critica um sistema público de saúde gratuito, porque seria dispendioso.

Aqui também o sr. Bolsonaro diz que pacientes custam caro ao sistema público do país.

Não tê-lo ou piorar o que temos, em nome de sobrarem recursos para o mercado, custará muito mais.

E não só em dinheiro.



TIJOLAÇO

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