O Bolsa Família foi um programa essencial para diminuir a fome e a pobreza no Brasil. Até os críticos mais ferrenhos – como o presidente Bolsonaro em seus tempos de deputado – reconhecem a importância do programa. Apesar de hoje elogiar o programa no discurso, o governo atual congelou novas entradas no programa desde maio de 2019. Hoje, a fila para entrar no Bolsa Família já é de 3,5 milhões de pessoas. Por outro lado, as exclusões continuam, e o número de famílias atendidas caiu no mesmo período de 14,3 para 13,1 milhões.

Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social, conversou na manhã desta quarta-feira (4) com o Brasil 247 sobre os problemas no programa. Ela explica, por exemplo, que tantas famílias estão na fila porque Bolsonaro prometeu em campanha dar um 13º para o Bolsa Família. "Estão na fila para que sobrasse dinheiro no final do ano para pagar o abono prometido em campanha, que foi chamado de 13º para enganar o povo".

O problema, segundo ela, só tende a aumentar: "Como o orçamento de 2020 é menor que o de 2019, a fila vai continuar a crescer. O esforço do atual governo é excluir, excluir até que o Programa caiba no orçamento de 2020, que teve uma redução de R$32,5 para R$29,5 bilhões".

É o oposto do que fazíamos. O Programa Bolsa Família sempre foi prioridade nos orçamentos. Nós nunca congelamos a fila de entrada. Ao contrário. Criamos o “Busca Ativa” para localizar as famílias com perfil que ainda não estavam recebendo o benefício. Nossa política era incluir a deles e excluir.

O orçamento do Bolsa família foi crescente em todos os anos anté o golpe que tirou Dilma da Presidência. O Governo Bolsonaro alega que vai resolver a fila depois da reestruturação do programa. Mas na verdade a intenção dele é restringir os critérios e com isso as famílias deixam de ter o direito. Ou seja. Os pobres e famintos continuarão pobres e famintos, mas não poderão solicitar o ingresso no Bolsa Família. Mais exclusão".

Preconceito

Tereza Campello diz ainda que os ataques ao Bolsa Família fazem parte de uma cultura de preconceito. "Se você acha que todo pobre é vagabundo, é lógico que você vai ser contra dar qualquer dinheiro para aliviar a situação dessa pessoa".

Mas esse preconceito acaba atrapalhando o próprio crescimento do país. O Bolsa Família não é apenas um programa humanitário ou assistencialista, como Bolsonaro diz quando quer defendê-lo.

Campello explica que "O Bolsa família era o mais bem-sucedido programa de transferência de renda do mundo porque era parte de uma rede de proteção social mais ampla e estruturada. Cada parte desta rede cumpria um papel: aposentadorias, pensões, seguro desemprego, benefício assistencial para idosos e pessoas com deficiência pobres (BPC), aposentadoria rural etc. O PBF Também funcionava bem porque contava com a rede de educação, de saúde e de assistência social, além da Caixa Econômica Federal. Toda esta rede vem sendo desmantelada, e com ela também o Bolsa Família".

A verdadeira fila do Bolsonaro é muito maior e a dimensão da tragédia que empurra milhões para a pobreza, a miséria e a indigência, só pode ser avaliada quando analisamos a fila completa:

12,5 milhões de desempregados

2,3 milhões de pessoas na fila do INSS e BPC

108 mil mulheres esperando a licença maternidade

1,5 milhões de famílias no PBF (são mais de 5 milhões de pessoas, a maioria crianças)

Mudança nome e fake news 

Por isso está nos planos do Governo Bolsonaro mudar o nome do Bolsa Família, para tentar apagar a história dos governos de Lula e Dilma, que realmente priorizavam os pobres no orçamento.

Apesar de ser reconhecido internacionalmente especialmente porque atinge quem realmente precisa, sem intermediários, ainda existe a lenda de que o programa é repleto de fraudes. A transparência criada pelos governos progressistas permite que essas fraudes sejam verificadas imediatamente, numa consulta aberta à internet.

Não se deixe enganar.

Veja a entrevista completa de Tereza Campello ao Brasil 247:




Instituto Lula

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