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| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil |
Dr. Rosinha*
Há coisas que a gente, mesmo se achando esclarecido, não consegue entender.
Por exemplo, como um juiz, considerado “promissor”, deixa o cargo para virar ministro de um desqualificado.
É o caso de Sérgio Moro.
Moro era um juiz promissor porque promiscuamente prestava serviços –através da mídia, principalmente a Rede Globo –aos Estados Unidos, à burguesia nacional e aos setores de direita e extrema direita da política nacional.
Nessa condição, ele foi “vendido” para o público como alguém competente, sério e honesto que poderia endireitar o Brasil.
E endireitou, mesmo. Jogou o Brasil nas mãos de fascistas – sua ideologia.
Hoje, foi divulgado que Moro pediu demissão do cargo de Ministro da Justiça.
Muita gente, entre os quais eu, talvez se pergunte:
*Sérgio Moro era um juiz inocente na política ou alienado político?
*Imaginava-se o máximo e que tudo que fez como juiz foi de atuação própria e não como instrumento dos EUA e da burguesia brasileira?
*Achou que participando de um governo eleito através de meios corruptos –fake news –, ele conseguiria combater a corrupção?
Conhecendo Bolsonaro dos tempos de Câmara dos Deputados, garanto que só vira ministro dele quem tem a mesma identidade ideológica — no caso, fascista — e é conivente com todos os tipos de desmandos e de corrupção.
Fascista, Moro é.
Já honesto, não é.
Os meios ilegais que usou para condenar Lula são a maior prova. Do contrário, ele não teria feito e aceitado tudo o que o The Intercept revelou.
Será que Moro pediu demissão só porque será indicado um novo chefe para a Policia Federal sem ouvi-lo? Não creio.
Bolsonaro está com dificuldades no Congresso Nacional para aprovar seus projetos de lei e medidas provisórias.
Pior. O Congresso tem lhe imposto uma pauta, muitas vezes, oposta do que deseja.
Nesta semana, Bolsonaro procurou o chamado “Centrão”ofereceu-lhes cargos e outras conveniências e conivências.
O “Centrão”, como bem sabem os leitores, é um grupo de deputados que coloca o interesse pessoal acima dos interesses da Nação e do povo brasileiro.
Uma das exigências do “Centrão” para dar o apoio vai além dos cargos. Está também na de troca de cargos, e nessa dança, entrou Sérgio Moro.
O “Centrão’ necessita de um ministro conivente, que não investigue.
Moro pouco manda investigar, mas seu discurso de combate à corrupção assusta os que não querem ser investigados.
Será que Moro já está indo tarde, afinal, ainda não conseguiu localizar o Queiroz e tampouco investigar os milicianos do Rio de Janeiro, incluindo a família Bolsonaro?
Há quem diga que está indo tarde, que nada fez no Ministério.
Creio que fez muita coisa: o fazer dele era o não fazer.
Por exemplo. Não podia e não pode encontrar o Queiroz. Não podia e não pode investigar as milícias e a família Bolsonaro.
Provavelmente há tantas outras coisas que não podia e não pode investigar que talvez nunca fiquemos sabendo;
Portanto, ao não fazer, fez o que o presidente Bolsonaro pediu para fazer.
Se Moro sair, entrará outro ministro com a mesma tarefa: não pode investigar o que Moro não investigou.
Além disso, agora, tem que acrescentar outras coisas que não poderão ser investigadas. A atuação dos parlamentares do “Centrão” é uma delas.
Foi a negociação para fazer parte da base do governo, ter um Ministro conivente.
Para o novo ministro e o diretor geral da Policia Federal, Bolsonaro terá outra recomendação: perseguir a oposição, principalmente a esquerda. Precisa calar essas vozes para poder continuar seus desmandos.
Escrevo na condicional, porque Moro ainda pode permanecer, afinal os que realmente mandam no Brasil, os militares, escalaram o ministro da Casa Civil, Braga Netto, e o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, para convencer o ministro da Justiça, Sérgio Moro, a não sair do cargo.
Se ele ficar, é a prova que Bolsonaro nada manda e a certeza que o “Centrão” não fará parte formal da base de governo.
Dr. Rosinha é médico pediatra, militante do PT. Pelo PT do Paraná, foi deputado estadual (1991-1998) e federal (1999-2017). De 2015 a 2017, ocupou o cargo de Alto Representante Geral do Mercosul.

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