Ao contrariar orientações da Organização Mundial da Saúde, decisões de governadores e do seu próprio ministro da Saúde, Jair Bolsonaro está destruindo as tentativas do país para conter a disseminação do coronavírus
Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores em frente ao Palácio do Planalto durante manifestação, já em meio à epidemia do coronavírus (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
"Grande parte do Brasil está fechada. Governadores impõem quarentenas rigorosas. O ministro da Saúde pede às pessoas que fiquem em casa, alertando que, a menos que a transmissão seja reduzida, o sistema de saúde entrará em colapso até o final de abril. Até gangues de traficantes fecham favelas para impedir a disseminação do coronavírus. Enquanto isso, um cidadão desrespeita as restrições e sai para passear no mercado local. Facebook e Twitter removem suas postagens por divulgar remédios não comprovados e atacar o distanciamento físico. Um homem normalmente não pode causar muitos danos. Infelizmente, este pode, é o presidente", escreve o prestigiado jornal britânico The Guardian.
"A ascensão de Jair Bolsonaro sempre foi assustadora, e seu histórico desde que assumiu o poder no ano passado - com ataques a direitos humanos, minorias, artes e destruição da Amazônia - tem sido vergonhoso. Sua resposta ao coronavírus atingiu novas profundezas. Terá que responder por seus erros e complacência quando a pandemia terminar".
[...] "Conhecer e cumprimentar seus cidadãos em Brasília no último final de semana foi duplamente irresponsável, dado seu contato próximo com casos conhecidos de coronavírus: o perigo não é apenas as mensagens que ele enviou, mas o risco físico que ele pode representar para os outros", destaca The Guardian.

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