Ex-presidente prevê PT forte nas eleições e aponta caminhos

O ex-presidente Lula (PT) classificou como "bobagem" acreditar que o sentimento anti-PT da sociedade foi o principal responsável pela vitória do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas eleições de 2018.
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Em entrevista à rádio Metrópole FM de Salvador, nesta quinta-feira (16/IV), Lula negou essa possibilidade.

"O antipetismo é uma bobagem. O PT sozinho tem mais simpatizantes do que qualquer outro partido. O PT tem mais de dois milhões de filiados e é o maior partido do país", afirmou o petista.

De acordo com o ex-presidente, a eleição de Bolsonaro se deve à "campanha massiva contra a política" que, para ele, foi encabeçada pela imprensa e pela operação Lava-Jato e a forma como o hoje deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o seu partido encararam a derrota na eleição de 2014.

"A grosseria com que os tucanos trataram a Dilma eu não podia imaginar. Aécio instigou o ódio contra ela e elegeram o Eduardo Cunha para presidente da Câmara para prejudicá-la. Dilma foi vítima de uma campanha inescrupulosa que resultou no Bolsonaro", disse.

Sobre uma possível aliança de esquerda para as eleições de 2022, Lula rebateu Ciro Gomes (PDT-CE) e confirmou que o PT pode até apoiar outro candidato.

Questionado sobre eleições, vitórias seguidas na Bahia contra "uma elite muito mais inteligente que Bolsonaro" e em todo o Nordeste são exemplos da força da sigla.

"A sociedade ela vai se definindo de acordo com debate, proposta e aproximação da campanha".

Política econômica

Na conversa, Lula criticou as medidas adotadas pelo governo federal no combate ao coronavírus.

"A XP foi atrás do Guedes e rapidinho eles liberaram R$ 1,2 trilhão para o mercado financeiro. Ora, se demora tanto tempo pra chegar o dinheiro na mão do pobre, porque chega tão rápido na mão do banqueiro?", questionou.

Para Lula, "tem que rodar dinheiro novo" e não se preocupar com inflação neste momento.

"O governo tem que dar condições para os pobres ficarem em casa e dar garantias de segurança para os trabalhadores essenciais. Nos EUA o Trump ficou negando a doença e veja agora como está Nova Iorque", reforçou.

O ex-presidente voltou a defender um estado forte.

"Ficou provado [com a pandemia] que toda hora que dar uma dor de barriga, o mercado some. Quem cuida é o Estado", apontou.

Segundo Lula, Bolsonaro "não pode ficar brigando todo dia e toda hora com todo mundo. Tem que governar e deixar de ignorância", contou.

Lava Jato

O ex-presidente voltou a criticar o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, ao chamá-lo de "mentiroso".
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"Moro não é juiz, é um mentiroso. Me condenou por um crime indeterminado. Eu desafio a corja dele a mostrar qual é o meu apartamento".

"A Lava-Jato é uma quadrilha", acrescentou Lula.

"Moro fez um pacto com a imprensa para construir a verdade dele, pois única forma de me desmoralizar era me envolver com corrupção", finalizou.


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