As crises demostram de maneira dramática que a conversa dos ideólogos dos capitalistas sobre a “mão invisível do mercado” é uma farsa.

desemprego – foto de arquivo

No âmbito da crise econômica e sanitária atual uma das falácias rapidamente abandonada pelos próprios capitalistas e seus governos é noção de que a regulação econômica é feita pelas supostas forças cegas do mercado, a chamada “mão invisível”.

Em realidade, no capitalismo as crises são periódicas, e quanto mais intensas mais os governos e as instituições estatais utilizam os recursos públicos, retirados dos trabalhadores para “resgatar” os lucros e dividendos de uma parcela dos capitalistas. Foi assim em 1929, no crash da bolsa e em 2008, na crise do subprimes, e tem notadamente sendo a tônica geral dos “incentivos” e “medidas de solidariedade” agora em 2020.

Deve-se ter em conta que as medidas adotadas para “reativar” a economia em 2020, não somente seguem esse padrão de destinar uma quantidade colossal dos recursos públicos nos cofres dos capitalistas, e notadamente para os bancos, para supostamente “capitalizar” a economia.

A ajuda financeira do dinheiro público para as empresas e bancos representa a grande maioria dos recursos destinados pelos governos para “resgatar a economia”. A preocupação com a saúde pública e com o conjunto da população está presente fortemente, mas em geral somente nos discursos dos governantes, pois efetivamente os recursos estão sendo drenados para os capitalistas. Por sinal, a gravidade da crise sanitária do Codiv-19 relaciona-se diretamente com o desmantelamento dos sistemas de saúde dos países pela política de austeridade e arrocho fiscal dos governos neoliberais no último período.

No Brasil, os dados são escandalosos, enquanto os classificados de “mais vulneráveis” recebem apenas migalhas, como o “ voucher coronavírus” de 600 reais, os capitalistas recebem mais de 1 um trilhão de reais dos cofres públicos. A justificativa de “reativar” a economia serve para encobrir uma transferência monumental de recursos dos trabalhadores para os bolsos dos capitalistas. Como se diz a oportunidade faz o ladrão.

A contração da economia pelo isolamento social levou os capitalistas não somente a buscar políticas de “resgate”, mas a pressionar as instituições do regime para alterar as legislações sociais e trabalhistas para retirar os direitos dos trabalhadores. Um exemplo dessa política criminosa de depositar todo o ônus da crise sobre os trabalhadores é a associação no Brasil entre o STF, Congresso e governo para permitir a redução salarial e redução de jornada de trabalho, bem como a completa aniquilamento dos sindicatos como representação legal dos trabalhadores nas negociações com os patrões.

As crises demonstram de maneira dramática que a conversa dos ideólogos dos capitalistas sobre a “mão invisível do mercado” é uma farsa, pois o capitalismo só sobrevive devido ao fato que o estado distribui dinheiro para os capitalistas. E mais que isso, os capitalistas para continuar com seus lucros precisam retirar direitos e roubar o trabalhador.

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