As Forças Armadas brasileiras enfrentam um dilema que talvez seja o maior de sua história. Se continuarem apoiando o governo Bolsonaro, desequilibram ainda mais o pilar democrático das relações civis-militares e caem em descrédito por se tornarem cúmplices de uma presidência vil, que está levando o país rumo ao caos infinito. Se desembarcarem do governo e apoiarem o afastamento do presidente, rompem com seu papel constitucional e reforçam o erro histórico de se intrometerem na política nacional.

Não conformados à subordinação ao poder civil prevista na Constituição, nossos militares se percebem historicamente como moderadores da política. Desde 2018, tanto o corporativismo militar quanto o desejo de ganhos pessoais direcionaram a caserna para um ativismo político sem precedentes desde a redemocratização.