Prefeito de Manaus chora ao descrever explosão do número de mortes em casa e colapso dos sistemas de saúde e funerário por conta do coronavírus
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| Arthur Virgílio, prefeito de Manaus |
O estado Amazonas tem a pior taxa de incidência de coronavírus do Brasil: são 521 casos para cada milhão de habitantes, segundo o boletim mais recente do Ministério da Saúde. A taxa é 2,75 vezes maior que a média nacional.
O Amazonas também registra a pior taxa de mortalidade, com 45 óbitos por cada milhão de habitantes, quase o dobro do registrado nos segundos colocados, Pernambuco e Rio de Janeiro, que têm 24 óbitos por milhão.
A situação se agravou ainda mais porque o Amazonas está perigosamente perto de ter ocupado todos os seus leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da rede pública, que ficam, todos, em Manaus.
A gravidade da crise levou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), a se reunir na segunda-feira (20) com o vice-presidente, Hamilton Mourão, para pedir ajuda ao governo federal para uma situação, que, segundo disse em entrevista à Folha de S. Paulo, deixou de ser de emergência para se tornar um “estado de calamidade”.
Na entrevista, Virgílio criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por ter respondido “não sou coveiro” ao ser questionado sobre o número aceitável de mortes nesta pandemia.
“Não sei se ele serviria para coveiro. Talvez não servisse. Tomara que ele assuma as funções de verdadeiro presidente da República. Uma delas é respeitar os coveiros”, disse Virgílio, que chorou ao falar do assunto, segundo a Folha
“Estamos chegando no ponto muito doloroso, ao qual não precisaríamos ter chegado se tivéssemos praticado a horizontalidade da quarentena, no qual o médico terá que se fazer a pergunta: salvo o jovem ou o velho? Estamos em ponto de barbárie”, desabafou o prefeito.
“O Amazonas pede socorro. SOS Amazonas. Aceitamos voluntários, médicos, aparelhos que estejam em bom funcionamento ou novos”, completa. Ele afirma que escreverá uma carta aos líderes do G20 solicitando ajuda.
Virgílio também comentou a participação de Jair Bolsonaro nos atos ilegais que pediam intervenção militar e AI-5:
“Não podia deixar de condenar o presidente participar de um comício, aglomerando, e ainda por cima tecendo loas a essa coisa absurda que foi o AI-5. Cassou meu pai, cassou Mário Covas, pessoas acima de quaisquer suspeitas, e que serviam o país. É de extremo mau gosto o presidente participar de um comício, insistentemente contrariando a Organização Mundial da Saúde e os esforços que fazem governadores e prefeitos”.

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