© REUTERS / Andrew Kelly

Para salvar vidas, a economia da China quase parou, enquanto os EUA poderão suspender as medidas de confinamento cedo demais para ajudar as grandes empresas.

Um artigo publicado na quinta-feira (16) no jornal The New York Times, intitulado "A economia da China encolhe terminando com quase meio século de crescimento", destaca que o surto do novo coronavírus pôs fim ao crescimento "extraordinário" da China de quase meio século.

As autoridades chinesas anunciaram na sexta-feira (17) que a economia do país caiu 6,8% durante os primeiros três meses de 2020 em comparação com o período homólogo de 2019, sendo que a maioria das fábricas e empresas em todo o país esteve encerrada em janeiro e fevereiro, em um tentativa vigorosa de conter a propagação do vírus.

"O golpe na economia chinesa é enorme, e todos antes sabiam que isso iria acontecer, porque, basicamente, existem duas estratégias para lidar com o coronavírus", disse John Ross, professor do Instituto Chongyang da Universidade Popular da China em entrevista à Sputnik International.

"Uma delas, a escolhida pela China, consiste na prioridade absoluta de salvar vidas. Basicamente você precisa de encerrar grandes partes da economia […] só depois você consegue reduzir o número de pessoas infetadas até próximo do zero. Agora, a média diária de [novos casos] na China é de seis, que podem ser localizados, e você pode lidar com isso", explicou Ross.
"A segunda, que eu receio ser o que tem acontecido nos EUA a nível central, embora eu saiba que algumas cidades americanas estão fazendo coisas boas, é na verdade uma variante de obtenção de imunidade de grupo", disse o professor, explicando que o plano não é "impedir que as pessoas morram, porque, a fim de conseguir desbloquear a economia em segurança é necessário que o número de casos seja muito baixo, próximo de zero, [...] se você tentar levantar as restrições de confinamento quando ainda tem milhares de casos por dia [...] terá um grande número de mortes", comentou.

© AP PHOTO / JOHN MINCHILLO
Cadáver de paciente morto pelo coronavírus sendo levado para um caminhão em Nova York, nos EUA

Embora a segunda maior economia do mundo, a chinesa, tenha sido atingida severamente, ela acabará por recuperar, especialmente agora que o país levantou muitas restrições de viagens e trabalho, à medida que o número de novos casos diminuiu significativamente.

Pelo contrário, nos EUA há mais de 706.000 casos confirmados do novo coronavírus, e mais de 37.000 pessoas falecidas, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou esta semana diretrizes federais para reabrir a economia de forma gradual, estado a estado, através da redução progressiva das restrições à circulação e interações sociais.

Ontem durante o informe oficial à imprensa, Donald Trump disse que "a América quer se abrir e os americanos querem se abrir", notando que "o confinamento nacional não é uma solução sustentável a longo prazo".

A resposta a esta crise da Administração Trump "é uma tentativa de manter as grandes empresas em atividade, continuando a obter lucros da maneira mais cínica [...] a população pobre será a mais atingida", salientou Ross.
"O motivo pelo qual existe esta tentativa de culpar a China é porque a Administração dos EUA fracassou totalmente na sua preparação. Tiveram dois meses para se preparar e não fizeram nada e, por conseguinte, dezenas de milhares de americanos morreram. Eu receio que, do jeito que isso está, mais dezenas de milhares de americanos venham ainda a morrer", concluiu John Ross.

Sputnik Brasil

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads