Para ex-presidente da Caixa, crise tornou evidente a importância de um banco público como a instituição
Publicado originalmente em Reconta aí
Presidente da Caixa Econômica Federal entre 2003 e 2006, o economista Jorge Mattoso vê a atuação do Banco Público em meio à pandemia como uma espécie de intervalo na implementação da política do Governo Federal em relação às estatais.
Em entrevista ao Reconta Aí, Mattoso comparou a Caixa com outras instituições financeiras sob o controle estatal.
“O atual presidente [da Caixa] foi colocado ali ‘para privatizar’. A crise impediu a privatização, mas não houve uma reversão da política. O BNDES está paralisado. A Caixa não está porque precisava de alguém para pagar o auxílio emergencial”, afirmou.
Em sua opinião, desde 2016 a Caixa foi inserida em um processo similar ao ocorrido na década de 1990, logo antes de ele próprio assumir a presidência do banco.
“Em 2003, a Caixa vinha de um período extremamente ruim. Ao longo do anos 90, foi preparada para ser privatizada. Foi reduzida em agências, funcionários, atividades de financiamento. Foi praticamente liquidada. Depois que derrubaram o governo Dilma, tentam fazer com a Caixa o mesmo que o governo Fernando Henrique [Cardoso] fez. Começar a dividir, privatizar algumas áreas, reduzir número de agências, de empregados”, avalia.
Ainda que a crise tenha tornado evidente a importância de um Banco Público como a Caixa, Mattoso é pessimista quanto ao futuro do órgão sob o governo Bolsonaro: “Tiveram que dar uma parada, mas não é um processo de recuperação da Caixa”.
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Brasil Debate

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