"Se forçar a barra e intervier diretamente nessa instituição de estado e não de governo, numa clara interferência política, vai gerar uma grave crise e cisão dentro do Exército e aumentar a desconfiança de que o objetivo da substituição é político: garantir apoio para um golpe de estado", analisa o jornalista Alex Solnik
![]() |
| (Foto: Alan Santos/PR) |
Depois da reunião de sábado do ainda presidente com a cúpula das Forças Armadas começaram a circular fortes rumores, em Brasília, de que ele estaria decidido a trocar o comandante do Exército, Edson Leal Pujol por um general bolsonarista, como, por exemplo Luiz Eduardo Ramos.
Estaria insatisfeito com Pujol por vários motivos, inclusive por suas posições em relação à pandemia, uma delas explicitada num recente encontro em que Pujol ofereceu o cotovelo quando Bolsonaro lhe
Mas o motivo central dessa troca devem ser suas posições firmes em defesas da constituição e da democracia, contra as quais Bolsonaro mantém uma cruzada permanente, embora tenha jurado defendê-las.
Como Bolsonaro é, de acordo, com a constituição o comandante-em-chefe das Forças Armadas, poder trocar o comandante do Exército ele pode, mas precisa ter um motivo muito forte para tal e não pode colocar quem quiser no posto, há uma hierarquia a ser respeitada.
Se forçar a barra e intervier diretamente nessa instituição de estado e não de governo, numa clara interferência política, vai gerar uma grave crise e cisão dentro do Exército e aumentar a desconfiança de que o objetivo da substituição é político: garantir apoio para um golpe de estado semelhante ao de 1937, que aumentou os poderes e instituiu a ditadura do Estado Novo.
Bolsonaro não tem, no entanto, um bom pretexto para a manobra, como Getúlio então, quando assustou o país com uma suposta invasão comunista, o que colocava em risco, portanto, o estado brasileiro.
Era para defender o estado que pedia mais poder, com o que concordaram a apavorada opinião pública, a imprensa, os governadores e até o Congresso Nacional, que tinha pedido a Getúlio a decretação do estado de guerra logo que o Plano Cohen explodiu nas manchetes dos jornais, em setembro de 1937.
A motivação de Bolsonaro é outra, ele não precisa de mais poderes para defender o país de alguma invasão estrangeira, o estado brasileiro não corre risco nem interno nem externo, e sim para preservar o seu mandato e a liberdade de seus filhos, ameaçados por processos que correm no STF e estão sob investigação na PF, ou seja, a motivação do golpe é pessoal, a mesma da troca do chefe da PF e do ministro da Justiça: proteger amigos e aliados e atacar inimigos.
O impedimento de Alexandre Ramagem não vai impedir o aparelhamento da PF: o novo titular, indicado por ele, estará tão alinhado a Bolsonaro quanto ele.
Alex Solnik
Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"
Brasil 247

Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;