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Trabalhadores preparam a colheita do limão siciliano, em Minori, ao sul de Nápolis. ANDREAS SOLARO / AFP
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RFI
Pelo menos 700.000 menores de idade na Itália estão com a alimentação comprometida devido à crise gerada pelo novo coronavírus. O fechamento de colégios e refeitórios escolares agravou o estado de precariedade de famílias de baixa renda, que não têm dinheiro suficiente para manter em casa o mesmo padrão de alimentação que era oferecido pelas escolas, diz a Coldiretti, principal organização agrícola do país.
"O número de pessoas com menos de 15 anos que precisam de ajuda para ter leite ou comer subiu para 700 mil", afirma a Coldiretti em um comunicado publicado neste domingo (10). "A situação crítica vinculada à pandemia se agravou em muitas famílias pelo fechamento dos colégios e dos restaurantes escolares, que eram a oportunidade para garantir aos filhos uma refeição quente", destaca o sindicato agrícola. Essa situação tende a se agravar, uma vez que os estabelecimenos de ensino ficarão fechados até setembro.Entre os novos pobres estão "as famílias dos que perderam o emprego temporário, os pequenos comerciantes ou artesãos que foram obrigados a fechar, as pessoas que trabalham clandestinamente e não recebem subsídios especiais ou benefícios públicos e não têm economias, assim como vários trabalhadores sazonais ou que realizam atividades ocasionais". As dificuldades afetam toda a península, mas algumas regiões do sul apresentam um quadro ainda mais desolador. Um total de 20% dos pobres estão na Campania, 14% na Calábria e 11% na Sicília.
A Coldiretti constatou em abril um aumento dos preços das frutas (+8,4%), legumes (+5%) e leite (+4,1%). Além da "corrida às compras" pela quarentena, esses aumentos estão relacionados ao fechamento de bares, restaurantes e mercados locais em muitas regiões, afirma o Coldiretti.
Solidariedade não consegue substituir lacunas do Estado
A pandemia de coronavírus provocou uma onda de solidariedade na Itália, com centenas de associações prestando auxílio à população em todo o território. Apesar dessa mobilização, os coletivos civis não conseguem dar conta do volume de pessoas que necessitam de ajuda.No último balanço oficial, o país tinha 30.395 mortos na epidemia. Desde 4 de maio, fábricas e escritórios retomaram gradualmente o trabalho. As regras de distanciamento físico permanecem em vigor, inclusive nos parques, reabertos ao público, e o uso da máscara é obrigatório no transporte coletivo.
No dia 18 de maio, a Itália entrará em uma nova fase, com a reabertura programada de todo o comércio varejista, bem como museus, locais culturais, igrejas e bibliotecas. Já autorizados a vender refeições para viagem, os bares e restaurantes reabrirão totalmente a partir de 1º de junho, assim como salões de beleza e barbeiros.
Mas a vigilância permanece, particularmente em Milão, o epicentro da epidemia na península. O prefeito da cidade ameaçou decretar nova quarentena, depois de milhares de pessoas, muitas vezes sem máscaras, tomarem as calçadas dos canais neste fim de semana para aproveitar o tempo ensolarado.
Com informações de agências
RFI

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