Nada como uma boa medida administrativa para resolver problemas.
O prefeito do Rio, Marcello Crivella deu um jeito de reduzir o número de mortes causadas pelo novo coronavírus: só valem os que tiverem a infecção registrada nos atestados de óbito, não nos prontuários hospitalares.
É o que descreve O Globo:
A partir de agora, estão sendo consideradas na contagem apenas mortes cujos atestados de óbito contêm confirmação de infecção pelo vírus. A mudança cria um gargalo nas estatísticas: enquanto os hospitais já registraram 2.978 vítimas fatais com suspeita ou confirmação da doença na capital, o painel [de estatísticas da Prefeitura] mostra apenas 1.801 óbitos — uma diferença de 1.177 pessoas que já morreram e deixam de constar no painel.
Portanto, uma redução de 40% nas mortes provocadas pela doença.
Nem o tio Edir Macedo seria capaz de um milagre destes! É melhor que a cloroquina, embora os 1.177 virem uma espécie de almas penadas, que morreram de algo que não se sabe o que é, embora todos saibam!
É este o ponto a que chegou o negacionismo bolsonarista, esta seita que recusa a realidade e que acha que a epidemia é uma invenção da mídia “comunista”.
Embora não seja idêntico, o método é semelhante ao usado pelo general Eduardo Pazuello, ministro militar da Saúde, ao determinar que as estatísticas da pandemia sejam apresentadas com destaque aos “casos recuperados”.
Há apenas um “probleminha” nesta técnica: os mortos estão mortos mesmo, e deixam filhos, netos, amigos, pessoas que os amavam e, ao contrário de nossas autoridades públicas, consideram que eles existiam.
Tijolaço

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