Atribui-se a Dario III, rei da Pérsia, a origem da expressão “matar o mensageiro” que traz a notícia ruim. depois de ter recebido a notícia da derrota do seu exército pelo de Alexandre III, da Macedônia, na batalha de Issus.
É o que faz o ministro da Justiça, André Mendonça, ao anunciar ter pedido à Polícia Federal a abertura de inquérito contra Ricardo Noblat e Renato Aroeira, pelo fato de que o primeiro (e muitos outros, inclusive eu mesmo) reproduziu em seu blog a charge do segundo tendo como tema a convocação feita por Bolsonaro a que seus seguidores invadissem hospitais públicos para “filmar” se havia ali, mesmo, pacientes de Covid-19 ou se tudo era obra da “esquerda corrupta”.
Não é preciso grande conhecimento jurídico para ver que é uma ação sem qualquer possibilidade de êxito, se é que vai chegar a ser acolhida por algum juiz. A metáfora que querem criminalizar em Aroeira já havia sido feita, antes, pelo ministro Celso de Mello e o ato que Bolsonaro sugeriu foi enunciado como crime por outro ministro, Gilmar Mendes.
A caricatura de Bolsonaro, que Aroeira apenas desenha, é feita pelo próprio presidente.
Na ânsia de agradar o chefe que o guindou ao posto e Ministro da Justiça, André Mendonça vai se inviabilizando para o prêmio que lhe foi oferecido: o de ser o ministro do Supremo “terrivelmente evangélico” que Bolsonaro prometeu.
Com esta ação, como antes com o patrocínio do habeas-corpus em favor de Weintraub, ele suja o saber jurídico que se espera do candidato à vaga. E vai enfrentar o lobby por sua rejeição dos atuais ministros, talvez de todos, com os quais os senadores terão pouca disposição em brigar.

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