A reportagem da Veja que vai amanhã para as bancas agrava um pouco mais a já delicada situação da Força Tarefa da Lava Jato do Paraná, com a suspeita de que os procuradores chefiados por Deltan Dallagnol fizessem escutas clandestinas.

Mas a revista registra algo que vai além de encrencar os procuradores, mas compromete o verdadeiro chefe da Força Tarefa, Sergio Moro, que teria obtido informações dentro da Procuradoria Geral da República e avisado a turma de Deltan que o “chefe” – Augusto Aras – estava (como é seu papel)interessado em saber da “face oculta” da Lava Jato.

Um alerta enviado pelo próprio Moro a integrantes do MP paranaense reforçou a suspeita. “O chefe de vocês está indo pra cima”, alertou o ex-juiz em uma mensagem a um dos procuradores da Lava-Jato.

É evidente que um ministro da Justiça não pode fazer o papel de “araponga” que vigia o Procurador Geral da República e avisa aos procuradores que são objeto de uma investigação funcional.

Moro, entretanto, continuou, como Ministro, a ter a relação de cumplicidade que tinha com a Força Tarefa que teve em seus tempos de juiz, abandonando, por evidente, a sua obrigação de imparcialidade.

A decretação da suspeição de Moro, que o STF deve analisar em setembro, está sólida. Se não acontecer é que, também ao ser julgada, ela leva em conta o interesse político.

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