Mariângela Consoli de Oliveira participou de reunião com representantes da ministra para discutir o caso da menina de 10 anos


Mariângela Casolli de Oliveir com Sara Winter na Associação Guadalupe (Foto: Terça Livre/Facebook)


Uma das participantes da comitiva articulada pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, como forma de tentar evitar o aborto da menina de 10 anos que engravidou após estupro no Espírito Santo, afirmou que iniciativa foi “institucional” e passou por “trâmites legais”.

“Foi uma iniciativa institucional, não partiu de mim”, afirmou Mariângela Consoli de Oliveira ao jornal Folha de S.Paulo, na sexta-feira (25). “Prefiro não falar sobre isso, porque isso aí já passou. Tudo o que eu fiz foi por trâmites legais”, continuou.

Segundo reportagem da Folha, a operação coordenada por Damares buscava transferir a menina de São Mateus, no Espírito Santo, para um hospital em Jacareí, no interior de São Paulo, onde ela ficaria internada durante a gestação. A ministra teria enviado uma equipe do ministério e aliados políticos para fazer manobras e ofertas de infraestrutura ao Conselho Tutelar para cooptar apoio local.

Apesar de ter sido apresentada como médica do hospital de Jacareí, Mariângela é assistente social e preside a Associação Guadalupe, com sede em São José dos Campos (SP), que oferece abrigo para gestantes em situações de vulnerabilidade. O local já foi recomendado por movimentos conservadores como o Brasil Sem Aborto. Além disso, Mariângela já foi diretora da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e recebeu visita de Sara “Winter” Giromini.

“É uma menina dócil, mas que está sofrendo grandes perseguições das feministas”, diz Mariângela em publicação nas redes sociais, datada de 23 de janeiro de 2016, ao lado da ativista da extrema direita.

Na reunião coordenada por Damares, uma representante do ministério identificada como Alinne teria oferecido melhorias aos conselheiros tutelares para debaterem o caso. A principal delas foi o chamado “kit Renegade”, composto de um Jeep Renegade (cujo valor inicial é R$ 70 mil) e equipamentos de infraestrutura, como ar-condicionado, computadores, refrigeradores, smart TVs e outros.

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