Patricia Arce foi pintada de vermelho em novembro de 2019 e arrastada pelas ruas de Vinto, sob gritos de assassina
Por Fabíola SalaniPatricia Arce quando foi humilhada por militantes da extrema-direita boliviana (à esq.) e durante comício na campanha (dir) (Foto Reprodução/Twitter)
Ex-prefeita da cidade boliviana de Quinto, que em novembro do ano passado foi humilhada por manifestantes de extrema-direita, Patricia Arce foi eleita senadora pelo MAS, partido do ex-presidente Evo Morales.
A eleição de Patricia foi celebrada pela presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que está na Bolívia como observadora das eleições.
“Lembram da prefeita de esquerda da cidade boliviana de Vinto, agredida por radicais de extrema-direita durante o golpe de 2019? Foi eleita senadora c/ votação expressiva. A democracia venceu o golpismo na Bolívia! A luta sempre vale a pena”, escreveu Gleisi no Twitter.
Perseguições
Em novembro do ano passado, Patricia, então prefeita de Vinto, foi agredida e humilhada por manifestantes de extrema-direita. Ela teve seu cabelo cortado contra sua vontade, foi pintada de vermelho e arrastada pelas ruas da cidade descalça por horas, aos gritos de “assassina”. A humilhação só acabou horas depois, quando Patricia foi resgatada pela polícia local.Mas a ditadura de direita que se instalou na Bolívia não se contentou com essa humilhação. Em abril deste ano, ela teve a prisão ordenada sob acusação de não cumprir uma das condições da quarentena imposta no país desde março, que é a proibição de realizar grandes reuniões.
No entanto, a “grande reunião” de que a ditadura a acusava era a celebração do aniversário de um de seus filhos. Todos os presentes, à exceção da namorada de um dos filhos de Patricia, moravam na mesma casa.

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