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| © REUTERS / Ricardo Stuckert/Instituto Lula |
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira (27) que o presidente Jair Bolsonaro é "irresponsável" e "não vai escapar da culpabilidade" pelas mortes provocadas pela pandemia.
Em entrevista à Revista Forum, o petista afirmou que o chefe de Estado deixou de salvar os brasileiros devido ao seu comportamento.
"Boa parte das pessoas que morreram a gente tem que debitar nas costas de Bolsonaro e nas pessoas que, subordinadas a ele, seguiram as orientações dele e não da ciência. O presidente não vai escapar da culpabilidade. Pode não ser agora, pode ser amanhã, mas é importante que o presidente carregue nas costas a responsabilidade por uma parte muito grande das pessoas que morreram. Não é que ele as matou. Ele deixou de salvá-las porque foi irresponsável”, argumentou.
Lula também criticou a manifestação realizada no domingo passado no Rio de Janeiro, que contou com a presença de Bolsonaro.
“Uma sociedade que chora por 450 mil mortos não pode assistir um presidente passeando de moto sem oferecer um gesto de condolências pelo luto de milhares de famílias no seu país", disse.
'Vou conversar com muito mais gente'
Lula afirmou ainda que não pode falar que disputará as eleições de 2022, mas, "se entenderem que sou a pessoa mais fácil para ganhar as eleições, não tenho dúvidas de que serei candidato"."Eu vou conversar com muito mais gente, porque o nosso problema agora não é só recuperar a democracia. É transformar a nossa Constituição em uma coisa real, porque tudo está previsto lá", disse o ex-presidente.
"Não é o Lula que vai derrotar o Bolsonaro. É o povo brasileiro que vai dizer: 'Nós não merecemos isso. Nós gostamos de paz, esperança, amor, cultura. Nós gostamos de gostar'. É esse novo gesto do povo brasileiro, que não está baseado no ódio de 2014 nem de 2018 que vai permitir o povo brasileiro voltar a ser feliz e votar a sorrir”, acrescentou.
Encontro com FHC
Sobre o encontro recente que teve com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Lula disse que a conversa não foi para "combinar sobre programa de governo", mas sobre viver de forma civilizada".
O petista contou que disse ao tucano ser "anormal", "para quem ama a democracia", ter um "presidente tipo Bolsonaro".
"Porque ele é a negação da política, negação da democracia, do humanismo. Ele é tudo o que a gente jamais esperava que fosse governar esse país”, disse Lula. "Quando resolvemos no encontrar, é porque tínhamos interesses comuns para discutir. O primeiro deles é o reestabelecimento da democracia no país. Eu digo sempre que era um prazer e era um luxo o Brasil ter o PT e o PSDB discutindo e disputando a Presidência", acrescentou.

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