Quando um pilar histórico das Forças Armadas. como a disciplina, é ignorado por seus próprios comandantes cai junto a autoridade para combater a anarquia nos quartéis. O país tem que dar um basta nisso.
Diante de uma situação adversa é até compreensível a gente se autoenganar. Mas isso dura pouco quando é apenas ilusão. As cada vezes mais frequentes declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre o “meu Exército” foram amenizadas como figura de linguagem. A partir dessa quinta-feira (3), com a humilhante rendição do Exército, que passou o pano na transgressão do general Eduardo Pazuello ao princípio basilar da disciplina militar, tudo isso foi pro sal.
O Exército brasileiro ignorou posturas históricas para atender a mais uma jogada da estratégia autoritária de Bolsonaro. Assim, a descrição mais adequada na língua portuguesa é outra. O que foi vendido como figura de linguagem se transformou em um objetivo e bem aplicado pronome possessivo. Bolsonaro, de papel passado, virou dono do Exército.
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| O ministro Fernando Azevedo e os comandantes da Marinha, almirante Ilques Barbosa; do Exército, general Leal Pujol, e da Aeronáutica, brigadeiro Moretti Bermudez – Foto Orlando Brito |
Pura balela. O preço da rendição do general Paulo Sérgio — pouco importa a justificativa de que ele se preservou no cargo para evitar um mal pior no futuro — foi abrir as guaritas do Exército e de todas as outras forças militares, inclusive as PMs, para o jogo de Bolsonaro de tentar melar sua previsível derrota nas eleições presidenciais ano que vem.
Ele tem a pretensão de chefiar um golpe de Estado que seja mais bem sucedido que o do seu guru Donald Trump nos Estados Unidos. O problema é que lá e aqui o buraco é mais embaixo. A rendição do comandante Paulo Sérgio, pouca importa suas intenções, pegou muito mal para militares que levam a carreira a sério estando na ativa ou na reserva. Recebeu censuras explícitas e implícitas.
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| Jair Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão – Foto Orlando Brito |
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| General Sérgio Etchegoyen Foto Orlando Brito |
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| Braga Netto, ministro da Defesa e os novos comandantes militares: almirante Almir Garnier, o general Paulo Sérgio e o brigadeiro Carlos Bapstista – Foto Orlando Brito |
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| O ex-ministro Raul Jungmann e o General Eduardo Villas Bôas – Foto Orlando Brito |
O que se diz na área militar é que nessa conversa foi batido o martelo da rendição do general Paulo Sérgio à impunidade de Pazuello. Os militares são treinados para não passarem recibo para seus superiores. Os civis que convivem com eles às vezes transmitem os seus recados. O ex-ministro da Defesa Raul Jungmann ouve mais do que fala. Nessa quinta-feira, ele deu um recado bem claro: “A capitulação de hoje não honra os ex-comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica e do ex-ministro da Defesa, que não se dobraram ao Presidente e caíram por respeito à Constituição e à Democracia, com quem as FFAAS permanecem. Mas, é hora de reagir e de unidade. Antes que seja tarde”.
Está mais do que evidente que, sabendo que não vai vencer as eleições, Bolsonaro prepara um golpe para se manter no poder. Tá passando a hora de quem responsabilidade e juízo nesse país criar uma barreira contra o golpismo.
A conferir.






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