Nome da lei homenageia o Padre Julio Lancellotti, sacerdote católico que realiza assistência às pessoas em situação de rua na capital paulista | Foto: Imagem/Divulgação
Nome da lei homenageia o Padre Julio Lancellotti, sacerdote católico que realiza assistência às pessoas em situação de rua na capital paulista | Foto: Imagem/Divulgação

Texto proíbe a instalação de objetos e estruturas que impeçam a permanência de pessoas em situação de rua em locais públicos


Bárbara Luz
vermelho.org.br
4–5 minutos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (22), em votação simbólica, o Projeto de Lei 488/21 que proíbe a construção de objetos e estruturas que impeçam a permanência de pessoas em situação de rua, idosos, jovens e outros grupos em locais livres e públicos. O texto, que leva o nome de lei ‘Padre Júlio Lancelotti’, já passou pelo Senado e segue para sanção presidencial.

Padre Júlio Lancelotti | Foto: Henrique de Campos/Instagram

Conhecida como “arquitetura hostil”, a prática consiste em espetos pontiagudos instalados em fachadas comerciais, pavimentação irregular, pedras ásperas, jatos de água, cercas eletrificadas ou de arame farpado e muros com cacos de vidro.


O senador Fabiano Contarato (PT-ES), autor da proposta, comemorou a aprovação. “Dedicamos esta conquista ao Padre Júlio Lancellotti, que tanto nos inspira. Precisamos fortalecer essa luta, tendo sensibilidade política e humana ao tratar os direitos das pessoas em situação de rua, especialmente dentro da crise que estamos enfrentando. Não podemos desumanizar quem precisa de acolhimento”.

Lancelotti é conhecido por dedicar mais de três décadas de atenção e afeto às pessoas em situação de vulnerabilidade social. No ano passado, o padre destruiu a marretadas os blocos de concreto instalados pela prefeitura embaixo de viadutos na Zona Leste da capital para evitar que pessoas dormissem no local. Ele é pároco da igreja São Miguel Arcanjo, localizada na Mooca.

O relator do projeto na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), afirmou que o projeto qualifica o estatuto para proteger a população em situação de rua. “Ninguém merece ou quer viver nessas circunstâncias, por isso é necessário que as cidades acolham essas pessoas”, afirmou

“Essa medida que combate a arquitetura hostil é protetiva para a população em situação de rua. Ela visa termos cidades mais humanas. Eu repito: ninguém merece viver numa situação de rua, com as dificuldades que a nossa população enfrenta”, concluiu.



O texto altera o Estatuto das Cidadespara proibir “o emprego de materiais, estruturas equipamentos e técnicas construtivas hostis que tenham como objetivo ou resultado o afastamento de pessoas em situação de rua, idosos, jovens e outros segmentos da população” e inclui, como diretrizes gerais da política urbana, a promoção de conforto, abrigo, descanso, bem-estar e acessibilidade na fruição dos espaços livres de uso público, de seu mobiliário e de suas interfaces com os espaços de uso privado.

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com informações de agências

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