Resultado histórico reflete o avanço do comércio com Ásia, África e Europa e a retração nas trocas com os EUA, em um ano em que o superávit chinês atingiu US$ 1,08 trilhão em onze meses
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| Terminal de contêineres e área de embarque de veículos no porto de Xangai; dados oficiais mostram que as exportações chinesas cresceram apesar das tarifas impostas pelos EUA – Foto: Reprodução |
A China alcançou entre janeiro e novembro de 2025 um superávit comercial de 1,08 trilhão de dólares, alta de 21,7% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados divulgados na última sexta-feira (5) pela Administração Geral das Alfândegas.
É a primeira vez que um país supera a marca de um trilhão de dólares em apenas onze meses, um resultado que reforça a força estrutural da economia chinesa em meio à escalada tarifária dos Estados Unidos sob o governo Donald Trump.
“O protecionismo não pode resolver os problemas causados pela reestruturação industrial global, mas apenas piorará o ambiente internacional para o comércio”, disse o presidente do país, Xi Jiping, após a publicação do resultado.
Em entrevista nesta segunda-feira (8) o ministro do Comércio, Wang Wentao, também comentou o resultado ao afirmar que a China “continuará a impulsionar vigorosamente o consumo e a expandir sua abertura de alto padrão para sustentar o desenvolvimento de alta qualidade do país”.
A declaração reforça o diagnóstico oficial de que a política de integração comercial e fortalecimento do mercado interno permanece no centro da estratégia chinesa para atravessar o ambiente internacional marcado por disputas geoeconômicas.
Ele afirmou que a estratégia econômica para 2026 combina abertura ampliada, estímulo ao mercado interno e consolidação das exportações, em linha com as diretrizes do 20º Comitê Central do Partido Comunista da China.
Os dados mostram que a expansão se apoia em três blocos geoeconômicos centrais. O comércio com a ASEAN — grupo formado por dez países do Sudeste Asiático e integrado a uma das cadeias industriais mais interligadas do mundo com a China — chegou a 6,82 trilhões de yuans (cerca de US$ 963 bilhões), aumento de 8,5% no período e reafirmação de seu papel como principal parceira comercial de Pequim.
As relações com os países da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI) também registraram avanço, com alta de 6% entre janeiro e novembro. O fluxo bilateral somou 21,33 trilhões de yuans (cerca de US$ 3,01 trilhões), o que representa 51,8% de todo o comércio exterior chinês no período.
Na prática, mais da metade das trocas internacionais da China já ocorre dentro da rede de integração estruturada por Pequim na Ásia, África, Oriente Médio e parte da América Latina, um movimento que reforça a reorientação geoeconômica acelerada desde o início da disputa tarifária com os Estados Unidos.
Já o fluxo com a União Europeia subiu 5,4%, totalizando 5,37 trilhões de yuans, cerca de US$ 758 bilhões, mesmo diante de alertas de governos europeus sobre a ampliação da presença de produtos chineses no mercado regional.
A combinação de expansão dos mercados na Ásia, África, Oriente Médio e Europa contrasta com a queda de 16,9 por cento no comércio bilateral com os Estados Unidos.
Segundo a Reuters, o movimento tem sido amplificado pelo “desvio de comércio” que direciona bens chineses para mercados alternativos como resposta às barreiras tarifárias impostas por Trump. A demanda internacional por máquinas elétricas, semicondutores, automóveis e produtos de alto valor agregado sustentou o salto exportador e elevou a participação desses segmentos a 60,9 por cento das vendas externas totais.

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