Economista aponta custos elevados, riscos políticos e desinteresse das petroleiras no projeto energético do presidente dos EUA
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| Paul Krugman (Foto: Bloomberg) |
O economista norte-americano Paul Krugman avaliou de forma crítica a estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ampliar a exploração de petróleo na Venezuela. Em texto publicado em seu Substack, Krugman afirma que o plano deve fracassar por razões econômicas objetivas, ignoradas pelo governo norte-americano.
Segundo o economista, Trump se reuniu na sexta-feira com executivos do setor de energia para discutir investimentos na Venezuela. A reunião, que seria reservada, acabou transformada em um evento transmitido ao vivo pela Casa Branca. A expectativa do governo era demonstrar apoio das grandes petroleiras, o que não ocorreu.
Krugman relata que nenhum executivo se comprometeu a investir no país sul-americano. Alguns mencionaram, de forma genérica, possíveis aumentos de produção, mas sem assumir obrigações concretas. Durante o encontro, Trump chegou a desviar o foco da discussão para comentar um projeto pessoal de salão de festas, o que reforçou o tom constrangedor da reunião.
A avaliação mais direta partiu do presidente-executivo da ExxonMobil, Darren Woods, que classificou a Venezuela como “não investível” nas condições atuais. A declaração provocou reação imediata de Trump. No domingo à noite, o presidente afirmou estar “inclinado” a impedir a ExxonMobil de investir no país. “Eu não gostei da resposta deles”, disse.
Krugman argumenta que a falta de interesse das empresas não é isolada. Ele destaca que, um dia antes da reunião, o governo dos EUA tentou leiloar mais de 20 mil acres de terras públicas no Colorado para exploração de petróleo e gás, sem receber nenhuma oferta, apesar dos preços baixos. Para o economista, isso evidencia o esgotamento da política do “perfure, perfure, perfure”, defendida por Trump.
De acordo com Krugman, a maior parte do petróleo produzido hoje nos Estados Unidos vem do xisto, cuja extração só é viável com preços elevados. O economista afirma que o preço de equilíbrio para novos poços gira em torno de US$ 62 por barril, enquanto os valores atuais estão abaixo desse nível, o que desestimula novos investimentos.
No caso da Venezuela, os obstáculos são ainda maiores. Krugman explica que as reservas do país são compostas majoritariamente por petróleo pesado, de extração cara e complexa. Ele cita o professor David Levine, da Universidade da Califórnia em Berkeley, que compara a consistência do óleo venezuelano à de “manteiga de amendoim fria”.
Além disso, a infraestrutura petrolífera venezuelana está deteriorada. Estimativas apontam que a recuperação mínima exigiria entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, enquanto um retorno aos níveis de produção da década de 1990 demandaria investimentos superiores a US$ 100 bilhões.
O economista também chama atenção para os riscos de segurança. Um dia após a reunião, a embaixada dos Estados Unidos emitiu alerta sobre a atuação de grupos armados e listou riscos como detenções arbitrárias, sequestros, violência e instabilidade civil, fatores que afastam investimentos de longo prazo.
Para Krugman, a estratégia energética de Trump não foi derrotada por regulações ambientais, mas pela lógica básica de custos e lucros. Segundo ele, o presidente pode continuar prometendo aumento de produção e queda de preços, mas o próprio mercado já demonstrou que o plano não se sustenta.
Publicado originalmente por: Brasil 247

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