A ação fere a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional pela violação de território nacional.
Os Estados Unidos (EUA) bombardearam a Venezuela por volta das 3 horas da madrugada deste sábado, 3 de janeiro. Segundo o presidente Donald Trump, Nicolás Maduro foi “capturado e retirado do país”. A informação foi confirmada pela vice-presidente venezuelana Delcy Rodriguez, que exigiu que os EUA ofereçam prova de vida do presidente.
A ação fere a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional pela violação de território nacional.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em pronunciamento oficial que o Exército vai resistir. “Ativaremos em todo o espectro do espaço geográfico nacional e em perfeita fusão popular militar-policial, a colocação em completo apresto operacional através do emprego maciço de todos os meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis”.
Outra liderança importante, Diosdado Cabello, ministro do Interior, Justiça e Paz, apareceu em um vídeo nas ruas de Caracas e afirmou estar “avaliando os danos causados pelo ataque criminoso e terrorista contra nosso povo”.
Presidentes da região, como Gustavo Petro (Colômbia), Gabriel Boric (Chile) e Claudia Sheinbaum (México) condenaram o ataque, enquanto o Itamaraty permanecia em silêncio, tendo sido pego de surpresa pela ação.
O presidente Lula fez um comunicado nas redes sociais às 10h, afirmando que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.
“A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, completou.
No X/Twitter, a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, não condenou o ataque, e disse ter falado com o Secretário de Estado Marco Rubio. “A UE já declarou repetidamente que o Sr. Maduro não possui legitimidade e defendeu uma transição pacífica”, disse, chamando à “moderação”.
A Venezuela pediu uma reunião de urgência do Conselho de Segurança da ONU, “responsável por fazer valer o direito internacional”, como disse no Telegram o chanceler venezuelano, Yvan Gil.
Até às 10:40, nem Edmundo González, candidato que é considerado vencedor nas últimas eleições presidenciais, nem a opositora Maria Corina Machado, principal liderança anti-chavismo, deram declarações. A conta oficial que o grupo estabeleceu no X declarou que “neste momento não há pronunciamento oficial sobre os fatos reportados na Venezuela”.
Publicado originalmente por: Agência Pública

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