Ungido por Gilberto Kassab como o candidato do PSD à Presidência da República, Caiado anunciou com todas as letras o caráter bolsonarista-raiz desta candidatura.
Jeferson Miola //
Imagem: reprodução internet //
Ungido por Gilberto Kassab como o candidato do PSD à Presidência da República, Caiado anunciou com todas as letras o caráter bolsonarista-raiz desta candidatura.
“Meu primeiro ato vai ser exatamente anistia ampla, geral e
irrestrita” a Bolsonaro e demais criminosos civis e militares condenados
pela trama golpista, declarou em ato partidário [30/3].
Seguindo à risca a cartilha entreguista e anti-soberania do
bolsonarismo, Caiado acenou entregar aos EUA a exploração e o controle
de terras raras e minerais críticos e criticou a regulação da
Inteligência Artificial à luz dos interesses brasileiros.
E, parafraseando Jorge Bornhausen, aquele ex-senador da ditadura e do antigo PFL que em 2005 disse que “é preciso acabar com a raça do PT”, Caiado repetiu a fórmula fascista que unifica a direita e a extrema-direita antipetista que se alimenta do ódio: “ganhar a eleição do PT é fácil. O difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, ou seja, para que seja definitivamente exterminado.
A escolha do Caiado ao invés de Eduardo Leite é o reconhecimento implícito, por Kassab, da inviabilidade da chamada “terceira via”, que na realidade era um truque do dissimulado governador gaúcho de se apresentar como o anti-Lula com menos truculência, porém representando o mesmo programa de retrocessos sociais, econômicos e democráticos.
A participação do Caiado na eleição defendendo a plataforma genuína da direita antipetista e das ultradireitas bolsonarista e lavajatista é muito conveniente para a estratégia de suavização da imagem do Flávio Bolsonaro.
Caiado deverá ser uma espécie de Padre Kelmon do filho do Jair. Com a diferença, contudo, de que o governador de Goiás poderá ter um desempenho eleitoral apreciável, que será bastante relevante para a votação do Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Kassab tem como objetivo central derrotar o Lula sem ter de assumir a identidade bolsonarista explícita. Ele acalentou esta possibilidade com Tarcício até o final do ano passado, e agora retoma a estratégia na pele do Caiado.
Este personagem enganador que se diz de centro é, na verdade, um direitista sem compromissos reais com a democracia. Funciona como força auxiliar do bolsonarismo e do fascismo.
Publicado originalmente por: jefersonmiola.wordpress.com
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