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O anúncio de que o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o candidato à presidência pelo PSD gerou reações adversas no Nordeste. Líderes do partido na região, onde a sigla mantém relações estreitas com o PT e o presidente Lula, não receberam bem a escolha.
Segundo informações do UOL, o partido deve apoiar a reeleição de Lula em diversos estados, com grande resistência a uma candidatura presidencial de Caiado. Na manhã de segunda-feira (30), o lançamento da candidatura foi amplamente ignorado pelos líderes do PSD nos nove estados nordestinos.
Eles evitaram comentar o nome de Caiado em suas redes sociais, o que
reflete as dificuldades que o governador enfrentará para formar um
palanque eleitoral na região. O caso mais emblemático ocorreu em
Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri deixou claro que,
independentemente da candidatura ser confirmada, seguirá com Lula.
A assessoria de Mitidieri informou que a decisão já foi comunicada ao
presidente do PSD, Gilberto Kassab. “Diante das especificidades do
contexto local e visando a manutenção da estabilidade institucional e
dos avanços em curso no estado, o governador decidiu manifestar apoio ao
presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, explicou a equipe.
Outro estado relevante, Pernambuco, também não demonstrou apoio claro à candidatura de Caiado. A governadora Raquel Lyra, que trocou o PSDB pelo PSD, tem mostrado proximidade com o presidente Lula, com direito a uma aparição pública ao lado de Lula e de sua esposa, Janja, durante o Galo da Madrugada no Carnaval. A assessoria dela, quando questionada, não se manifestou sobre a escolha do governador.
Aliados próximos de Raquel preveem que a governadora não apoiará Caiado. Espera-se que ela mantenha a neutralidade, buscando apoio tanto de petistas quanto de bolsonaristas. Em Pernambuco, o presidente do PSD, André de Paula, deve assumir a pasta da Agricultura e Pecuária, com a saída de Carlos Fávaro para disputar o Senado em Mato Grosso.

No Nordeste, a resistência a Caiado é principalmente devido à sua proximidade com o bolsonarismo. Internamente, membros do PSD consideram a candidatura “tóxica” para muitos candidatos da região, especialmente aqueles que concorrem em disputas majoritárias. Para aliados dele, é difícil imaginar como abrir palanques para um candidato que, historicamente, tem criticado Lula.
O cenário do PSD no Nordeste lembra o caso do MDB em 2022, quando o partido lançou Simone Tebet à presidência, mas vários líderes regionais optaram por apoiar Lula no primeiro turno. Em Alagoas, o apoio do MDB ao petista já era claro desde o início da campanha.
Em Alagoas, o presidente do PSD, Luciano Amaral, é aliado do MDB e deve fazer coligações com o PT. A expectativa é que o partido também apoie a candidatura de Renan Filho ao governo, estreitando laços com o PT para as eleições estaduais.
A situação no Maranhão é complexa, com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, em uma postura neutra em relação à polarização política. Ele negocia apoio do PT em sua chapa, enquanto busca alavancar a candidatura ao governo, destacando a disputa com Orleans Brandão.
No Piauí e Ceará, o PSD segue alinhado com os governos do PT. No entanto, o Rio Grande do Norte é o único estado onde o PSD se posiciona claramente contra o PT, com a senadora Zenaide Maia apoiando a candidatura de Alysson Bezerra (União Brasil) ao governo.
Publicado originalmente por: diariodocentrodomundo.com.br
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