Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou o financiamento de R$ 300 milhões para apoiar o Plano de Inovação da empresa brasileira Positivo, que visa investir em inteligência artificial (IA). O movimento reflete uma das prioridades do país: produzir tecnologia e consolidar o mercado nacional no setor.
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| Representação de inteligência artificial em formato de um cérebro |
Para o crescimento na área de IA, que exige muitos recursos, aportes financeiros são necessários. Nesse âmbito, conforme explicou José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES, em entrevista à Sputnik Brasil, a instituição já financiou aproximadamente R$ 5 bilhões em iniciativas que buscam desenvolver a tecnologia em solo brasileiro.
"O BNDES já colocou, desde 2023 até o começo desse ano, algo em torno de R$ 5 bilhões no apoio a projetos que envolvem IA. Isso envolve empresas como a Positivo e até aquelas que desenvolvem, por exemplo, novos fármacos na área de saúde. Além disso, o BNDES lançou um fundo, que está em fase inicial, para investir em startups ligadas à IA", disse.
O diretor também ressalta que o planejamento no direcionamento desses financiamentos faz parte do Nova Indústria Brasil, que está totalmente integrado às diretrizes do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado pelo governo federal em 2024, durante a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
"Obviamente, tem o PBIA, que é a política de inteligência artificial, que está embaixo da Nova Indústria Brasil como uma das nossas vertentes. O BNDES tem olhado com muita atenção as empresas que querem desenvolver tecnologias, sejam grandes ou pequenas. Isso é uma agenda prioritária, e a gente acredita que o setor produtivo brasileiro tem muito a ganhar com esse tipo de desenvolvimento", comenta.
Gordon também destaca a importância da digitalização da economia e como a IA pode ser uma aliada para o crescimento brasileiro devido à dinamização e otimização de setores-chave da cadeia produtiva brasileira.
"A gente tem que pensar que a economia tem que se digitalizar. Não é à toa que o governo lançou uma linha ligada à indústria 4.0. Para ganhar produtividade, para produzir melhor com menores custos e conseguir competir. O que posso dizer é: se o setor produtivo não entrar no mundo da digitalização, que inclui a IA, ele está fora do mercado", destaca.
Governo é importante para o avanço no setor de IA
A reportagem da Sputnik também ouviu Claudio Miceli, especialista em sistema ciberfísico e professor do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que reforçou a importância de o desenvolvimento em tecnologia nacional ser crucial para garantir a soberania digital do Brasil, principalmente em virtude de conflitos geopolíticos envolvendo potências estrangeiras.
"A qualquer momento, diante de um interesse comercial ou político conflitante, pode-se perder acesso à tecnologia. Esse é um dos problemas. A questão da IA é que ela automatiza o processo, aumenta as nossas possibilidades e a economia circula. Mas se esse dinheiro não fica no Brasil e vai para fora, passa-se a ter um 'feudalismo tecnológico', por mais que o esforço e o trabalho sejam feitos aqui no Brasil", discorre.
O analista também vê com bons olhos a iniciativa do BNDES em apoiar a indústria nacional em IA e no segmento de produção tecnológica como um todo, devido à mudança de paradigmas que o universo digital impacta na economia e na vida do cidadão comum.
"O mais interessante é que o BNDES já enxergava isso [IA] de uma forma mais ampla. Na verdade, o momento que a gente passa é o de transformação digital, onde uma série de tecnologias vai moldar o nosso futuro. Incentivar uma indústria nacional a ter esses elementos é muito importante", observa.
Parceria via BRICS seria bem-vinda
Miceli acredita que o Brasil tem muito a aprender no desenvolvimento de IA com países que já estão avançados nessa área, como China, Índia e Rússia, parceiros do BRICS, dos quais Brasília possui boa relação e que ainda têm características similares às nossas, tais como extensão territorial e grande população.
"Eu acho que a parceria do Brasil com o BRICS é fundamental, onde se têm China, Índia e Rússia, países que têm condições muito similares às do Brasil. Por exemplo, em Skolkovo, que seria o 'Vale do Silício russo', já há um movimento [tecnológico] muito grande. Eu acho que a gente poderia tirar muitas lições a partir dessa cooperação", conclui.
Em um cenário em que a economia segue cada vez mais globalizada e interdependente, a modernização e a produção de tecnologia autóctone são essenciais para garantir a soberania do país. Nesse contexto, a inteligência artificial ascende como um ativo geopolítico estratégico, capaz de redefinir as hierarquias de poder global.
Publicado originalmente por: Sputnik News Brasil

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