Casa Branca apostou em campanha rápida. Fez estragos, é claro. Mas Teerã criou armadilha: prolonga o conflito, desgasta Trump eleitoralmente e pressiona os mercados globais. Mostra à região: apoiar Washington não é bom negócio

Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Por Alexandre Zevin, na New Feft Review | Tradução: Rôney Rodrigues

Às vezes, a administração Trump parece empenhada — tamanho é o contraste entre sua primeira e sua segunda encarnação — em inverter o apotegma da abertura do Dezoito Brumário de que “todos os grandes fatos e personagens histórico-universais aparecem, por assim dizer, duas vezes… a primeira como tragédia, a segunda como farsa”. Naquela época, era o sobrinho, Luís Napoleão, retomando o papel do famoso tio. Hoje, Trump retomou seu próprio papel, num segundo ato repleto de crueldade e carnagem; aqui, a repetição-alteração é mais rápida e autorreflexiva, como convém ao ator e à época. Outros fizeram uso produtivo do neobonapartismo para analisar a coalizão sociopolítica sobre a qual o trumpismo foi inicialmente construído. Mas agora parece que estamos vivendo a reprise de um momento posterior na carreira do segundo Napoleão — não o lance de dados plebiscitário com que a história começou, mas a aposta errada do jogador cuja sorte se esgotou numa arriscada aventura estrangeira. Trump não está diante de uma Batalha de Sedan. Mas, oito semanas após o início da guerra EUA-Israel contra o Irã, as coisas não estão saindo como planejado.

1.

Se o segundo mandato de Trump tem sido um forte contraste com o primeiro, as diferenças mais marcantes estão na política externa. Nesse campo, o America First parecia prometer uma guinada para dentro — afastando-se das guerras intermináveis e das ocupações estrangeiras, e até mesmo dos aliados, vistos como exploradores dos EUA na Europa e no Leste Asiático. Grande parte do sentimento de insurgência popular associado à campanha de 2016 de Trump veio de seus embates acirrados com Jeb Bush e outros republicanos tradicionais, a quem atacou implacavelmente por seu papel na Guerra do Iraque. Trump tinha alguma base para sua alegação de não ter iniciado novas guerras em seu primeiro mandato. Mas isso está longe de acontecer no segundo. Ele já havia ordenado ataques em três continentes — Caribe, África subsaariana e Península Arábica — antes de lançar seu ataque em grande escala contra a República Islâmica do Irã.

Apesar de tudo o que há de novo em Trump, seria um erro ignorar as continuidades na política externa estadunidenses que subjazem às suas ações; de fato, não fosse pelos anseios de longa data de vários grupos de pressão internos e externos, seria difícil explicar como um homem cuja promessa de não travar mais “guerras estúpidas” foi tão importante para seu apelo como outsider acabou lutando a guerra de todas as guerras neoconservadoras contra o Irã. Para entender isso, precisamos examinar a mudança na relação tripartite entre Irã, EUA e Israel, bem como as estruturas e projetos imperiais duradouros. Trump pode ter errado no cálculo ao atacar Teerã, mas seu governo também pode alegar, com considerável razão, que está perseguindo objetivos que os governos ocidentais apoiam há muito tempo.

2.

A República Islâmica está na mira de Washington desde 1979, quando o xá pró-estadunidense foi deposto pela Revolução Iraniana. Em alguns aspectos, a guerra é a conclusão lógica da maneira como os EUA demonizaram o Irã desde então. Israel inicialmente manteve melhores relações com os khomeinistas, contando com os Estados do “anel externo” representados pelo Irã e Turquia como potenciais aliados contra o “anel interno” das repúblicas nacionalistas-árabes militantes — e enviando armas às forças armadas iranianas na década de 1980 para ajudá-las a lutar contra o “inimigo próximo”, o Iraque. Foi somente depois que o exército de Saddam Hussein foi destruído na Guerra do Golfo de 1991 que Israel voltou sua atenção para a agora fortalecida e estabilizada República Islâmica, instando Washington a bloquear a aquisição de uma dissuasão nuclear por Teerã — ou seja, a ajudar a preservar o monopólio nuclear de Israel na região.

Diante do arsenal nuclear israelense, muito maior, o Irã teria pleno direito — em nome da autodefesa nacional — de desenvolver sua própria capacidade de dissuasão. Nesse ponto, porém, a liderança clerical iraniana demonstrou ineptidão. Ao combinar um maximalismo fantasioso em sua retórica sobre destruir a “entidade sionista” — algo que, evidentemente, jamais teria condições de realizar — com um minimalismo complacente em sua prática, insistindo em respeitar o Tratado de Não Proliferação Nuclear e o sistema de inspeções liderado pelos Estados Unidos, Teerã acabou abrindo caminho para a negação da própria soberania que os aiatolás e a Guarda Revolucionária afirmavam considerar sagrada. Se tivesse seguido o caminho de Pyongyang, talvez não estivesse na situação em que se encontra hoje.

A ideia de que o Irã deveria ser impedido disso a qualquer custo foi unanimemente aceita pelos Estados ocidentais — e apoiada em momentos-chave pela Rússia e pela China, cada uma com seu vasto estoque nuclear. As técnicas de guerra econômica por meio de sanções primárias e secundárias, refinadas pelos EUA ao longo de muitos anos em busca da rendição nuclear iraniana, não são, portanto, apenas uma questão de consenso bipartidário internamente, mas também unem os principais aliados europeus de Washington. Sucessivamente endurecidas em 2006, 2011, 2018 e 2025, seu efeito cumulativo tem sido devastador para a sociedade iraniana, sem jamais ameaçar seriamente o regime que seria seu suposto alvo. As sanções contra o Irã poderiam até ser consideradas um exemplo das virtudes do multilateralismo — tão escassas hoje em dia, lamenta muito comentarista liberal —, tendo a United Nations como principal veículo para implementá-las e legitimá-las em nível global. Talvez essa seja uma das razões pelas quais, apesar da flagrante ilegalidade e da ainda mais transparente imoralidade do ataque militar (‘kinetic attack’) americano-israelense contra o Irã, os protestos desses aliados tenham sido contidos. Criticam os meios, mas ainda desejam os fins; e a Europa serviu silenciosamente como um gigantesco porta-aviões para a Operação Epic Fury: da base da RAF Fairford, na Inglaterra, e de Ramstein, na Alemanha, até bases na Itália, em Creta e em Portugal.

3.

Além disso, embora Trump possa ter prometido o fim das guerras estúpidas ou intermináveis, isso nunca excluiu guerras baratas, rápidas e “inteligentes” — sobretudo por serem conduzidas por ele. Sua primeira incursão foi a Guerra dos Doze Dias, ao lado de Israel contra o Irã, em junho de 2025, quando seus generais resgataram planos elaborados ainda na era Obama para que bombardeiros B-2 e submarinos despejassem 400 mil libras de munição sobre instalações do ciclo de combustível nuclear em Natanz, Isfahan e Fordow. A operação das forças especiais para capturar Maduro, na Venezuela, no início de janeiro de 2026 (“um cenário perfeito”), pareceu então reforçar em Trump a convicção de que uma guerra rápida contra o Irã — onde protestos nacionais se desenrolavam contra a mais recente crise econômica provocada pelas sanções e contra o regime clerical — poderia funcionar da mesma maneira. Pouco se falou sobre o cinismo das justificativas para intervir em nome desses manifestantes (“a ajuda está a caminho”), apresentadas depois que o regime já havia reprimido os protestos. O “grande povo iraniano” invocado por Trump em seu discurso inflamado à nação, em 28 de fevereiro, jamais esteve destinado a herdar o poder. No máximo, serviria como pano de fundo entusiástico para uma transição interna em que, após o assassinato de Khamenei e de seus chefes militares e de inteligência, elementos mais dóceis assumiriam o controle — escolhidos a dedo pelo Mossad e pela CIA e “trabalhando em conjunto” com os Estados Unidos e Israel, como ocorreu na Venezuela: “Eu tenho que participar da nomeação, como fizemos com Delcy na Venezuela”, tuitou Trump.

O poder aéreo avassalador seria o meio para alcançar esse objetivo. Também nesse aspecto Trump demonstrou estar alinhado aos reflexos mais profundos da tradição de projeção do poder militar dos Estados Unidos no exterior — sustentada pelo sonho do bombardeio aéreo como uma forma de “governar a partir dos céus”. Pete Hegseth, o ex-apresentador musculoso da Fox News, é a encarnação quase instintiva desse desejo. Para todos os efeitos, parece um ator contratado para interpretar o Secretário da Guerra, e suas aparições à imprensa têm sido marcadas por um tom teatral, beirando o descontrole: prometendo “morte e destruição vindas do céu o dia inteiro”, chegou até a encenar líderes iranianos “olhando para cima e vendo apenas o poder aéreo americano e israelense a cada minuto de cada dia”. Suas ameaças seguem um estilo quase publicitário e aliterativo (“localizar, fixar e finalizar”; “desmantelar, desmoralizar, destruir, derrotar”). A um jornalista, Hegseth vangloriou-se: “Isto não é uma luta justa; estamos golpeando-os enquanto estão caídos, exatamente como deve ser.”

Essa postura arrogante expressa a fantasia de alcançar domínio total sobre um inimigo indefeso apenas por meio do poder aéreo. Trata-se de uma ideia antiga, cujo canto de sereia seduziu muitos planejadores militares e políticos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Hegseth é apenas o mais recente de uma longa linhagem. O major-general Curtis LeMay, um dos pioneiros do chamado “bombardeio estratégico”, ordenou o bombardeio incendiário de Tóquio que matou 100 mil pessoas, “queimadas, fervidas e assadas até a morte”; mais tarde, gabou-se de ter “incendiado todas as cidades da Coreia do Norte e da Coreia do Sul”, numa campanha de codinome “Operação Estrangulamento”, que, segundo sua própria estimativa, matou 20% da população entre 1950 e 1953. Antes de ser destituído do comando, o general MacArthur queria “lançar entre trinta e sessenta bombas atômicas ao longo do estreito da Manchúria”, criando uma espécie de cordão sanitário contra os comunistas chineses. No Vietnã, a patologia do poder aéreo atingiu níveis ainda mais perversos, já que a ausência de alvos evidentes — um “problema” recorrente das guerras aéreas desde o início — levou à ampliação contínua do que podia ser considerado alvo legítimo. Assim, a zona de combate passou a incorporar novos inimigos — isto é, cada vez mais civis — para cumprir metas operacionais, enquanto armas progressivamente mais destrutivas eram testadas. Estrategistas e historiadores militares frequentemente observaram que o poder aéreo, sozinho, jamais alcançou os objetivos estratégicos que lhe foram atribuídos. Ainda assim, a ideia persistiu, da Iugoslávia à Líbia: vitória sem baixas estadunidenses. No Irã, essa velha obsessão pelo “direcionamento de alvos” ganhou uma nova roupagem empolgante com a inteligência artificial; mas o impulso subjacente permanece sombriamente familiar, à medida que milhares de missões aéreas nos dez primeiros dias levaram ao bombardeio de 20 mil edifícios não militares, entre eles 17.353 residências.

4.

Em termos de objetivos de guerra, a Operação Epic Fury começou a desandar quase imediatamente, quando o ataque israelense de decapitação contra Khamenei, em 28 de fevereiro, fracassou em forçar o que restava da liderança iraniana à mesa de negociações — e, como o próprio Trump acabou deixando escapar, eliminou inadvertidamente a figura escolhida para ser a “Delcy iraniana”.

Não há nada de particularmente sofisticado ou engenhoso em assassinar um homem de 86 anos e sua esposa dentro de sua casa, no centro de Teerã; tampouco a tática — por mais chocante que seja — é nova. A OTAN bombardeou a residência de Milosevic em Belgrado em 1999, os Estados Unidos tentaram eliminar Saddam Hussein no início da Guerra do Iraque, e Israel transformou ataques de decapitação quase em um passatempo nacional. Esse assassinato específico, porém, realizado durante o Ramadã, foi — nas palavras de um general britânico, ex-vice-comandante da OTAN, em uma entrevista contundente — “tão sutil quanto assassinar o Papa nos degraus da Basílica de São Pedro durante a Semana Santa”; seus efeitos, previu ele, provavelmente seriam igualmente mobilizadores para muitos muçulmanos xiitas. O Irã, como esperado, retaliou contra alvos americanos e israelenses em toda a região e, com alguns disparos de advertência contra embarcações mercantes, fechou o tráfego no Estreito de Ormuz, bloqueando assim mais de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás. Com instalações de armazenamento, refinarias e portos paralisados, o preço do petróleo disparou em direção aos 120 dólares por barril.

Aqui vale lembrar algo que Giovanni Arrighi costumava dizer: uma hegemonia em declínio sempre dispõe, em razão de sua própria posição, de múltiplas opções; porém, cada uma delas acaba revelando um lado negativo que, no fim, acelera ainda mais seu declínio. O efeito colateral da guerra de Trump por mudança de regime foi desencadear o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma medida que planejadores anteriores de Washington tendiam a considerar arriscada demais para Teerã adotar, por supostamente comprometer em excesso sua posição regional. Agora, contudo, o risco recaía sobre Trump: resistir enquanto os preços do petróleo e do gás natural liquefeito disparavam, junto com os custos de produção, transporte e fertilizantes para as colheitas do ano seguinte, potencialmente consolidando tendências inflacionárias na economia mundial por muitos anos; ou negociar uma trégua, o que significaria aceitar ao menos parte das exigências iranianas. Como essas exigências incluíam o fim de todas as sanções, o reconhecimento da tutela iraniana sobre o Estreito de Ormuz, o encerramento permanente da guerra e dos ataques israelenses ao Líbano, além da garantia de que o Irã não voltaria a ser atacado, essa alternativa também representaria uma retirada.

5.

A liberação de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas dos países membros da AIE — somada à suspensão das sanções sobre a energia russa — manteve temporariamente sob controle o impacto econômico mais severo provocado pelo garrote iraniano sobre Ormuz. Mas, como deixou claro o diretor da AIE, esse impacto será gigantesco, mesmo que a guerra termine em breve: “Mais petróleo deixou de circular (…) do que durante os dois choques dos anos 1970, que desencadearam recessões e racionamento de combustível ao redor do mundo”, enquanto o volume de gás interrompido pela guerra é duas vezes maior do que aquele que a Europa perdeu com a invasão russa da Ucrânia. E, quanto mais o conflito se prolongar, mais tempo será necessário para recolocar em operação os campos de petróleo e gás danificados ou paralisados. O estrangulamento do fluxo de petrodólares, junto com o do próprio petróleo, também aumenta o risco de estourar a bolha da inteligência artificial, responsável pela maior parcela do crescimento do PIB americano no último ano. A combinação de inflação elevada, juros mais altos e escassez de semicondutores pode comprometer novos investimentos em centros de dados, além de afetar as avaliações das empresas de tecnologia.

Isso tem implicações para o acordo desigual que ajudou a sustentar a dominância global do dólar americano desde os anos 1970. Depois que Nixon retirou os Estados Unidos do padrão-ouro, seu secretário do Tesouro negociou um pacto com os sauditas que trocava garantias de segurança americanas pelo investimento dos enormes excedentes financeiros do petróleo saudita em títulos da dívida dos EUA, além do compromisso dos países da OPEP de precificar o petróleo em dólares. Esse arranjo enriqueceu enormemente as indústrias bélicas britânica, francesa e, sobretudo, americana: os Estados do Conselho de Cooperação do Golfo, em conjunto, são os maiores compradores de equipamentos militares do mundo. Mas o que acontece com esse pacto quando os países árabes não conseguem levar seu petróleo ao mercado? O Irã ofereceu uma possível resposta ao permitir a passagem segura de petróleo pelo Estreito de Ormuz para embarcações amigas que pagassem uma taxa de pedágio em yuans chineses.

6.

A reação imediata de Estados Unidos e Israel foi bombardear Teerã para forçar a reabertura do Estreito — destruindo escolas, hospitais, universidades e monumentos históricos, além de alvos militares e governamentais. A resposta iraniana foi metódica: ao atacar bases americanas no Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos, seus mísseis balísticos e drones baratos e eficazes esgotaram as defesas aéreas THAAD e Patriot dos EUA, cujos interceptadores não apenas são caros, mas também escassos. Dois dias depois de os ataques de decapitação eliminarem uma dúzia de seus principais líderes militares, o Irã atingiu a embaixada estadunidense no Kuwait; em 3 de março, atacou a estação da CIA em Riad, além de centros de dados da Amazon nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein. No dia seguinte, após os EUA destruírem navios de guerra iranianos no Golfo de Omã, Teerã atacou a base aérea estadunidense de Al Udeid, no Catar — a maior da região — obrigando à evacuação de seus 10 mil soldados estadunidenses. Quando os Estados Unidos bombardearam as defesas militares na ilha de Kharg, em 13 de março, o Irã atingiu um hotel internacional na Zona Verde de Bagdá; quando Israel atacou o campo de gás natural de South Pars, em 18 de março, Teerã respondeu no dia seguinte com um ataque a uma refinaria de petróleo em Haifa. Em 21 de março, os EUA lançaram bombas antibunker sobre Natanz; em resposta, um míssil balístico iraniano atingiu Dimona. E, quando Trump ameaçou, em 22 de março, atacar as usinas elétricas iranianas caso o país não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas, Teerã afirmou que retaliaria contra instalações energéticas e usinas de dessalinização em toda a região.

No século III d.C., Shapur, o grande líder do Irã sassânida, impôs aos romanos uma série de derrotas humilhantes e obteve um tratado de paz em seus próprios termos. Na Batalha de Edessa, em 260 d.C., Shapur capturou o imperador Valeriano — a primeira vez que um imperador romano sofria tal destino. Quando este ofereceu um resgate para recuperar sua liberdade, conta uma conhecida e reveladora lenda que Shapur respondeu sufocando-o com ouro derretido. Não é preciso dizer que o novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei — descrito, ao que tudo indica, como ainda mais estreito e inflexível que o pai — está longe de ser um novo Shapur. Ainda assim, pode-se dizer que o Irã conseguiu impor um empate aos Estados Unidos nessa rodada inicial do conflito, insistindo, com relativo sucesso, que o cessar-fogo tático que Trump passou a buscar no fim de março deveria incluir a interrupção dos ataques israelenses ao Líbano. O cessar-fogo iniciado em 8 de abril foi amplamente compreendido como apenas uma pausa antes da próxima etapa da guerra. Para Washington, essa nova fase começou já em 13 de abril, quando os Estados Unidos impuseram um bloqueio naval — uma transição para uma guerra econômica sustentada pelo poder militar — voltado contra qualquer embarcação que entrasse ou saísse de portos iranianos. Teerã, considerando a medida um ato de guerra, voltou a fechar o Estreito de Ormuz, cuja reabertura havia ocorrido com o início do cessar-fogo, e exigiu o fim do bloqueio americano como condição para prosseguir com as negociações de paz em Islamabad.

7.

Se os bombardeios em área conduzidos por Estados Unidos e Israel não conseguiram provocar a rendição iraniana, ao menos foram capazes de causar uma devastação imensa. Na véspera do cessar-fogo de 8 de abril, cerca de 3.540 iranianos haviam sido mortos, dos quais 1.616 eram civis, incluindo 244 crianças. Em Teerã, grande parte da infraestrutura foi atingida, assim como 300 instalações de saúde, 760 escolas e 46 mil unidades residenciais e comerciais. Complexos industriais pesados e fábricas de armamentos em todo o país foram destruídos. A crise econômica — agravada pelo bloqueio da internet imposto pelo regime, que interrompeu o trabalho de milhões de trabalhadores de aplicativos e empregos informais digitais — teria provocado cerca de 2 milhões de demissões. Enquanto enfrentava críticas internas por aceitar o cessar-fogo proposto por Trump, Netanyahu pôde afirmar, em seu discurso à nação de 8 de abril, que o Irã estava mais fraco e Israel mais forte do que nunca, graças à parceria sem precedentes com os Estados Unidos e à crescente valorização de Israel pelo Pentágono como aliado de guerra, exaltando “nosso heroísmo, coragem e habilidade”. A guerra continua extraordinariamente popular em Israel, apesar dos danos causados pelos drones iranianos: no fim de março, o apoio ao conflito alcançava 78% da população. Ainda profundamente impopular em outros aspectos, Netanyahu declarou que o cessar-fogo era apenas “uma parada no caminho” para alcançar “todos os nossos objetivos”: “Estamos preparados para voltar ao combate a qualquer momento necessário. Nosso dedo continua no gatilho.”

A campanha de bombardeios, contudo, também impôs custos à potência hegemônica global. As primeiras semanas de combate revelaram uma série de vulnerabilidades na postura defensiva dos Estados Unidos. Em primeiro lugar, longe de garantir segurança, a presença de bases estadunidenses — muitas delas evacuadas antecipadamente — transformou os Estados do Golfo em alvos da retaliação iraniana: a destruição de radares avançados e baterias antimísseis exigirá bilhões de dólares e muitos anos para ser reparada, deixando esses países expostos, no futuro previsível, a novos contra-ataques contra seus campos de petróleo, redes elétricas e usinas de dessalinização — das quais grande parte da população depende para obter água potável. Tudo isso passou a estar em risco em consequência dos ataques americano-israelenses à infraestrutura iraniana. Em segundo lugar, dezenas de drones avançados e aeronaves tripuladas — entre elas um F-35, um avião-radar E-3 Sentry AWACS, vários F-15 e aviões-tanque KC-135, além de um A-10 “Warthog” — foram atingidos ou sofreram acidentes. O principal porta-aviões da Marinha dos EUA, o USS Gerald Ford, movido a energia nuclear e atormentado desde o início por falhas em seu sistema de esgoto, foi retirado de operação por tempo indeterminado — possivelmente por ação de sua própria tripulação, após um incêndio iniciado na lavanderia permanecer fora de controle por trinta horas; embora Trump, em seu estilo populista e informal, tenha aparentemente afirmado num fórum empresarial em Miami que a embarcação havia sido atingida por drones iranianos.

Mais importante, os EUA estão tendo dificuldades para produzir munições rápido ou barato o suficiente para reabastecer a si mesmos e a seus aliados, e estão tendo que surrupiar material de seus estoques no Leste Asiático. Os EUA podem, é claro, gastar mais: como porcentagem do PIB, seus gastos militares hoje são mais baixos do que em qualquer ponto da Guerra Fria. Mas suas capacidades produtivas estão em questão. O declínio industrial, a perda de habilidades de engenharia de nível médio para a automação e a mudança da força de trabalho para todos os níveis do setor de serviços impõem limites a qualquer recurso fácil ao estímulo militar-keynesiano.

8.

“A guerra é a saúde do Estado”, escreveu Randolph Bourne, um crítico liberal radicalizado em 1917 por sua oposição à entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial. “E é durante a guerra que melhor se compreende a natureza dessa instituição.” Há uma aparente distância entre as fantasias dos senhores da guerra trumpistas e o tipo de planejamento estatal e investimento que seria necessário para revitalizar e sustentar um esforço de rearmamento; entre as forças e relações de produção que as tarifas alfandegárias nada fizeram para alterar. Os cortes promovidos pelo DOGE no Departamento de Estado e no Pentágono, às vésperas do ataque, apontam na mesma direção — sem falar na contínua demissão de oficiais de alta patente, incluindo o chefe do Estado-Maior do Exército, em pleno andamento da guerra. Desde o surgimento dos Estados fiscal-militares na era moderna, guerras têm sido travadas e vencidas, em geral, por soldados, industriais e burocratas — não por incorporadores imobiliários, streamers, capitalistas de risco ou produtores de Bitcoin.

Um dos aspectos desse elemento superestrutural da decadência — aquilo que Bourne descreveu como os “traços oligárquicos ocultos por trás de uma cortina de fumaça de princípios democráticos” — aparece no papel desproporcional desempenhado por Israel em cada etapa do conflito. A terceirização para Tel Aviv da decisão pela guerra, conforme delineado pelo secretário de Estado dos EUA, e a adoção de táticas israelenses para conduzi-la são evidências não apenas dos “traços oligárquicos” do Estado americano — dos quais o enorme poder de fogo do lobby israelense no Congresso, na mídia e no ensino superior é apenas um exemplo. Também sinalizam a redução da capacidade intelectual do próprio Estado estadunidense: especialistas em Irã críticos à abordagem da Casa Branca foram afastados do Departamento de Estado. É claro que Witkoff e Kushner não possuem formação em ciência nuclear; mas esse é justamente o ponto: garantir que a linha israelense seja seguida.

9.

No início da Primeira Guerra do Golfo, Baudrillard comparou a escalada rumo ao conflito aos novos fluxos desregulados do capital global. “Assim como a riqueza já não é medida pela ostentação da riqueza, mas pela circulação secreta do capital especulativo, também a guerra já não é medida pelo fato de ser travada, mas pelo seu desdobramento especulativo em um espaço abstrato, eletrônico e informacional — o mesmo espaço em que o capital se move.” O que diria o grande filósofo da imagem sobre a aceleração do ritmo da guerra e do capital condensada na figura imperial de Trump?

O ataque americano-israelense contra o Irã foi travado no ritmo dos mercados, sincopado por tuítes. O mercado acionário em alta continua sendo o maior admirador do 47º presidente. Num padrão que já se tornou familiar, Trump anunciava o fim iminente da guerra ou insinuava avanços rápidos nas negociações em comentários destinados a “acalmar os mercados” antes da abertura das bolsas ou no início da semana de negócios — para depois emitir ameaças de aniquilação e ultimatos quando os mercados já estavam fechados, suspendê-los, ou fazer exatamente o contrário e atacar, conforme o caso. Três semanas após o início do conflito, tornava-se claro que outro padrão atravessava essas oscilações abruptas: o benefício próprio. Em 23 de março, foram realizadas operações — não pela primeira vez — com contratos futuros de petróleo no valor de 580 milhões de dólares poucos minutos antes de Trump publicar, na Truth Social, mensagens sobre negociações “produtivas” com o Irã. Hoje, a própria manipulação de mercado tornou-se uma razão de Estado, e os aliados do comandante-em-chefe parecem se deleitar com sua condição de operadores privilegiados de informação.

Quanto às imagens de hoje: os crimes de guerra já não conseguem deter a sociedade do espetáculo por mais do que alguns instantes fugidios. No primeiro dia da guerra, 150 meninas morreram em Minab, no sul do Irã, quando mísseis americanos atingiram sua escola — duas vezes. Trump descartou o episódio com indiferença: “Posso conviver com isso.” Depois de alguns dias, grande parte da mídia também aprendeu a conviver. Na Primeira e na Segunda Guerra do Golfo, imagens e narrativas eram cuidadosamente filtradas ao público por “jornalistas incorporados” às tropas. Na guerra atual, a realidade do conflito permanece em grande medida ocultada das sociedades ocidentais — mas é editada e apresentada ao presidente em “reels” de dois minutos compostos, segundo descreveu um assessor, por “coisas explodindo”.

10.

Os iranianos enxergam três fatores estadunidenses que, neste momento, jogam a seu favor: munições, mercados e eleições de meio de mandato. Há muitos indícios de que a guerra contra o Irã — e a percepção generalizada de que Trump foi manipulado por Netanyahu a entrar nela — está remodelando a opinião pública. Pesquisas mostram que o conflito conta com menos apoio do que qualquer outra guerra travada pelos Estados Unidos no século XX: apenas 41% dos adultos aprovavam a guerra em uma sondagem realizada em meados de março — índice que caía para menos de um quarto entre os independentes e para menos de um décimo entre os democratas. Em contraste, uma maioria dos estadunidenses apoiava a “ação militar” no Iraque em 2003, percentual que chegou a 73% durante as primeiras seis semanas do período de “choque e pavor”, quando George Bush surgiu no convés do USS Abraham Lincoln, vestindo traje de voo, sob a faixa com os dizeres: “Missão Cumprida”.

Essa antipatia, porém, ainda não se traduz em um movimento antiguerra de grande escala nos Estados Unidos. Paradoxalmente, a ausência de uma campanha coordenada para fabricar consenso interno talvez tenha reduzido o tempo necessário para o surgimento de protestos como os que antecederam a invasão do Iraque. Outro motivo para a relativa apatia do momento é a dura repressão sofrida pelo movimento pacifista que emergiu no verão de 2024: as ocupações estudantis que alcançaram centenas de campi universitários em defesa de Gaza. Ainda assim, apesar do aumento dos riscos envolvidos, multidões voltaram às ruas sob Trump. Nas Cidades Gêmeas, manifestantes expulsaram o ICE da cidade por conta própria, encerrando na prática a chamada “Operação Metro Surge”; milhões de pessoas também participaram, no fim de março, das manifestações nacionais “No Kings”, marchando ao som de palavras de ordem e slogans antiguerra — apesar da faixa politicamente vaga sob a qual ONGs progressistas e sindicatos insistem em organizá-las.

11.

Mas, se uma mudança já é perceptível na opinião pública estadunidense — especialmente entre eleitores democratas e independentes —, o mesmo está longe de ocorrer entre a liderança democrata no Congresso ou nos gabinetes dos governadores dos “estados azuis” (democratas). Hoje, é justamente esse aparato partidário que constitui o maior obstáculo a uma mudança radical de rumo, pois ele bloqueia cada vez mais não apenas o desejo de sua própria base por uma política externa menos ensanguentada, mas também o de uma maioria da população adulta apta a votar. Há, portanto, razões para duvidar que os democratas consigam capitalizar politicamente a impopularidade de Trump e de sua guerra, mesmo que os republicanos percam o controle das duas casas do Congresso nas eleições de meio de mandato de 2026, como muitos agora preveem. A cada novo aperto do parafuso imperial, a cada novo ato de banditismo e intimidação sem lei, algum operador político democrata — atual ou antigo — ou alguma figura do partido tratou de endossar a ação, ainda que nem sempre os métodos empregados para realizá-la.

Essa cumplicidade tornou-se evidente na impressionante ausência de oposição — por parte do Partido da Oposição — em cada etapa da escalada da guerra contra o Irã. Nos oito dias que antecederam o início das hostilidades, enquanto os Estados Unidos mobilizavam a maior armada no Oriente Médio desde a Operação Iraqi Freedom, com a clara intenção de utilizá-la, os democratas nada fizeram. Segundo relatos, membros da Comissão de Relações Exteriores adiaram deliberadamente a pressão por uma votação da War Powers Resolution até depois do início da guerra; uma vez iniciado o conflito, a resolução fracassou na Câmara exatamente pelo número de deserções democratas necessário para derrubá-la: quatro votos. De acordo com um assessor sênior de política externa do líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, o desfecho preferido de muitos democratas alinhados ao AIPAC era justamente que Trump agisse unilateralmente, “enfraquecendo o Irã enquanto absorvia o desgaste político interno antes das eleições de meio de mandato”. Até mesmo democratas de alto escalão que votaram a favor da War Powers Resolution sinalizaram estar “abertos” a apoiar um pacote suplementar de 50 bilhões de dólares para “manter as tropas americanas seguras”. Schumer é um dos mais ferrenhos defensores de uma linha dura contra o Irã em qualquer um dos dois partidos, e suas críticas públicas à guerra limitaram-se a pedidos burocráticos por “detalhes cruciais” sobre “os objetivos desses ataques”; em privado, assegurou a um grupo judaico que sua função é “lutar por toda a ajuda de que Israel precisar”.

12.

Embora uma escalada ainda possa, em tese, alterar o rumo do conflito, no momento em que este texto é escrito o ataque americano-israelense não conseguiu aniquilar o Irã como força militar; tampouco provocar uma divisão no regime clerical; nem sequer restaurar o status quo anterior por meio da reabertura do Estreito de Ormuz. Uma insurreição curda iraniana, que chegou a ser cogitada, rapidamente perdeu força — embora tenha provocado uma chuva de mísseis e drones da Guarda Revolucionária iraniana sobre Erbil. A tentativa de estabelecer uma cabeça de ponte de forças especiais ao sul de Isfahan, possivelmente com o objetivo de roubar urânio enriquecido, terminou com a própria Força Aérea dos EUA destruindo suas aeronaves, sob a cobertura de um apagão informativo sustentado pela leal mídia americana.

Com o bloqueio do Golfo de Omã, Trump está seguindo o conselho de seus generais — a “opção sóbria” que propuseram no início da guerra, ao avaliarem que a economia iraniana era o elo mais fraco do regime. Mas essa estratégia talvez precise durar anos para surtir algum efeito, enquanto os preços do petróleo sobem, a inflação se consolida — e os iranianos redirecionam importações por múltiplas rotas terrestres, via Turquia, Cáucaso ou Paquistão. Trump ainda dispõe de muitas opções, como Arrighi certamente observaria: tentar assumir o controle da ilha de Kharg ou de outras localizações estratégicas e centros petrolíferos; intensificar os bombardeios ou os assassinatos de líderes do regime; capturar o urânio enriquecido iraniano; ou até tentar controlar o próprio Estreito de Ormuz. Mas, a cada passo, ele se aprofunda ainda mais no impasse. Uma intervenção terrestre de grande escala significaria baixas americanas, alimentando o descontentamento da base MAGA; manter o bloqueio do Golfo de Omã sem reabrir o Estreito de Ormuz aprofunda os danos à economia global. Em vez de provocar uma insurreição contra o regime iraniano, a guerra acabou revitalizando o ânimo de sua base religiosa antes desmoralizada, que agora ocupa as ruas de Teerã e de outras grandes cidades com desfiles noturnos de motocicletas, bandeiras e música marcial.

13.

Onde tudo isso terminará? Vale a pena recordar as trajetórias imprevistas das guerras anteriores dos Estados Unidos no Golfo. Em 1991, George H. W. Bush — ex-diretor da CIA e consumado representante da velha elite estadunidense — conduziu aquilo que muitos defensores do império ainda consideram a guerra perfeita. Depois de praticamente fechar os olhos para a tentativa de Saddam Hussein de anexar o Kuwait, Washington declarou o ato um ultraje internacional; passou então meio ano montando uma coalizão global contra o Iraque, estendendo elaboradas cortesias diplomáticas a Gorbachev, Shevardnadze e aos líderes árabes, ao mesmo tempo em que mantinha Israel fora do conflito para evitar despertar sentimentos de fraternidade árabe em relação ao Iraque. Os Estados Unidos garantiram autorização para utilizar bases aéreas em toda a Península Arábica e prepararam a nova geração de mísseis inteligentes para sua performance televisionada contra a infantaria iraquiana em retirada.

Mas, após essa orquestração requintada, qual foi o desfecho? Bush fez um apelo hesitante pela derrubada de Saddam, mas, no último instante, retornou a uma política mais cautelosa: deixá-lo militarmente incapacitado, porém ainda no poder. Mesmo assim, uma revolta xiita iraquiana apoiada pela CIA avançou e acabou brutalmente reprimida por Bagdá. A Primeira Guerra do Golfo revelou-se o início de uma década de guerra econômica contra o Iraque, conduzida por meio de sanções devastadoras da ONU e da disseminação da desnutrição infantil, reforçada pelos bombardeios anglo-americanos sob Clinton e Blair, enquanto os neoconservadores de Washington acumulavam força em torno do apelo para “terminar o serviço”. O resultado foi a Segunda Guerra do Golfo: a invasão do Iraque por Bush e Blair em 2003, seguida de uma ocupação militar de oito anos, até que Obama considerou seguro retirar as forças americanas “para além do horizonte”, instaladas no Bahrein e no Catar — apenas para retomar os bombardeios quando a resistência sunita iraquiana se transformou no ISIS e estabeleceu um califado sediado em Mossul.

O declínio das delicadezas diplomáticas estadunidenses e do apoio internacional entre 1991 e 2026 — assim como a transformação do papel de Israel, de acessório embaraçoso a iniciador e co-beligerante do conflito — dispensa maiores comentários. A principal lição desses precedentes históricos — “crises-sinalizadoras”, no vocabulário de Arrighi — é sua duração imprevista. Trump pode encerrar esta fase ou lançar uma nova escalada; mas a guerra americano-israelense contra o Irã iniciada em junho de 2025 dificilmente terminará tão cedo.

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 Publicado originalmente por: OUTRAS PALAVRAS

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