Doutor em Ciência Política, Pedro Costa Jr diz que atentado virou "método" da extrema-direita e vê risco de "facada 2.0" em 2026

A “jogada combinada” com Marco Rubio, secretário de Estado americano, para classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais imediatamente após a passagem de Flávio Bolsonaro pelos Estados Unidos, no fim de maio, pode servir de degrau para a extrema-direita brasileira alcançar uma tentativa de emplacar uma “facada 2.0” e turbinar a candidatura de Flávio durante as eleições de 2026. A avaliação é do doutor em Ciência Política, editor do Observatório de Geopolítica e analista de relações internacionais do GGN, Pedro Costa Jr.
Na noite de segunda (1/6), Pedro Costa Jr. antecipou o possível movimento do bolsonarismo durante seu editorial no programa Observatório de Geopolítica – que é transmitido ao vivo no Youtube de segunda a sexta, sempre às 19 horas – e também em conversa com o jornalista Luís Nassif, no programa TV GGN 20 Horas. O cientista político observou que, há tempos, os irmãos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro têm construído uma narrativa de que Flávio, pré-candidato à Presidência em 2026, pode ser alvo de atentado da mesma forma que aconteceu com Jair Bolsonaro, que levou uma facada durante o período eleitoral de 2018.
Na rede social X, Carlos Bolsonaro compartilhou o print de um artigo no Substack cujo título afirma que o Comando Vermelho (CV) planejava “mantar Flávio Bolsonaro em Minas Gerais”, e que o plano teria sido identificado pela Polícia Civil. Para Pedro Costa Jr., o clã Bolsonaro abraçou o discurso de atentado político contra seus expoentes como “método”.
“Flávio começou a usar colete a prova de balas e tem ecoado muito esse cântico de atentado. Há um método na extrema-direita. Trump sofreu três atentados nos últimos anos. O mais forte foi aquele tiro que levou perto da orelha. A extrema-direita internacional tem tentáculos e conexões entre si. Essa narrativa de que pode haver um novo atentado, emulando o que aconteceu na campanha do pai [Jair] em 2018, é como se estivéssemos tateando uma facada 2.0”, alertou Pedro Costa Jr.
Só que, desta vez, “pode haver a encenação de atentado e atribuir-se a culpa ao PCC e CV. E a partir daí, ele [Flávio] montar a narrativa de que eles [narcotraficantes] são os ‘amigos do Lula’, e ‘nós estamos fazendo o combate a isso com ajuda do Trump’, e o resultado seria esse: ‘tentaram eliminar o Flávio Bolsonaro’. É um movimento que temos que antecipar. Vão montar a narrativa de que o narcotráfico tenta eliminar aquele que tenta combatê-lo com ajuda do Trump. Isso colar no imaginário social é muito fácil. Desconstruir isso é que é muito difícil”, disparou o analista.
Para o jornalista Luís Nassif, atentados políticos têm servido como “instrumento para alavancar candidaturas”. “É só lembrar do que aconteceu com Bolsonaro. O Brasil todo pensava que se escapasse, ganharia a eleição. Então faz todo sentido essa suspeita”, respondeu a Pedro Costa Jr.
Na última sexta (29), a Secretaria de Comunicação do governo Lula emitiu uma nota oficial reagindo à decisão dos Estados Unidos. “É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, apontou a nota. O mesmo informe também sustentou ser um erro técnico classificar as facções criminosas brasileiras como terroristas.
O programa Observatório de Geopolítica debateu a atuação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Trump e sua influência nas eleições e em outros assuntos internos do Brasil. Assista abaixo:
Publicado originalmente por: GGN
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