Valores de emendas do deputado federal para ONG de Karina Ferreira da Gama pagaram advogados do próprio Frias

Mario Frias
O deputado Mario Frias - Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) se pronunciou sobre a investigação aberta pela Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º de junho) no contexto da Operação Wi-Fi, com mandados de busca e apreensão contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a produtora Go Up Entertainment, ambos ligados a Karina Ferreira da Gama.

A investigação apura irregularidades em um contrato de R$ 157,1 milhões firmado entre o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da gestão Ricardo Nunes para instalação de internet gratuita em comunidades periféricas de São Paulo, com suspeita de superfaturamento de até 230%.

Segundo a coluna de Bela Megale, no jornal o Globo, Karina “não ficará sozinha”, é “humilde, honesta e trabalhadora”. “Confiamos irrestritamente nela. Karina está sendo usada politicamente. Tudo será amplamente explicado”.

O prefeito Ricardo Nunes também saiu em defesa de Karina, afirmando que ela é uma “pessoa decente”.

O que pesa contra Karina e Frias

Karina Ferreira da Gama não é apenas presidente do ICB. Ela é também dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

A investigação da Polícia Civil apura se recursos do contrato com a prefeitura foram desviados para financiar a produção do longa, o que conectaria dinheiro público municipal ao projeto cinematográfico bolsonarista.

A suspeita não é nova no âmbito judicial. O Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Flávio Dino, já conduz investigação para verificar se emendas parlamentares destinadas por Mário Frias ao ICB também foram usadas para bancar o mesmo filme, segundo informações atribuídas à investigação do STF.

Emendas de Mario Frias pagaram advogado do deputado

Em 2024, Frias destinou R$ 1 milhão em emendas parlamentares ao ICB para financiar o projeto Jovem Empreendedor, voltado ao letramento digital em escolas públicas. O convênio foi firmado com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em dezembro daquele ano.

A maior despesa identificada foi um pagamento de R$ 400 mil à Editora Dinâmica para 2.750 kits pedagógicos destinados a Pirassununga.

O responsável técnico local pelo projeto, Kayo Azevedo, afirmou ao Estadão que o material nunca chegou: “Não foi executado em Pirassununga. Não foi executado por mim. Fiquei sabendo que não iria mais rolar aqui.”

Outros R$ 80 mil foram pagos a uma empresa ligada ao advogado Fabio Lago Meirelles, que atuou na defesa de Frias em ao menos nove processos entre 2022 e 2026, sendo oito na Justiça Eleitoral. O ICB também repassou R$ 50 mil à empresa MM7, de Marcelo Machado, dirigente de outra entidade presidida pela própria Karina Gama.

 Publicado originalmente por: Revista Fórum

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