Por Saul Leblon
" A guerra cambial é grave, mas seus efeitos no país não decorrem apenas de distorções domésticas --as taxas de juros siderais são a mais evidente delas. A verdade é que desde que os EUA decretaram unilateralmente o fim da paride ouro/dólar, no governo Nixon, em 1971, implodiu o pacto cambial entre as nações firmado em Bretton Woods, após a Segunda Guerra. Vive-se desde então um progressivo esfarelamento do sistema monetário mundial. Essa arquitetura entrou em coma agudo com a crise do sistema financeiro que abalou os alicerces dos países ricos. Incapazes de sair da areia movediça de desemprego, desconfiança, dívidas e perda de vigor competitivo no comércio internacional, purgam seus impasses no indiscutível trunfo que lhes resta --sobretudo no caso dos EUA: o poder de manipular a moeda de troca internacional, desvalorizando-a como forma de queimar dívidas e melhorar a competitividade de suas exportações. Coordenar grandes investimentos públicos, garantir emprego e renda à expansão do mercado doméstico, bem como demanda pública cativa às empresas locais, é uma das formas de preservar a industrialização brasileira nesse 'salve-se quem puder' entre as nações. É uma briga de cachorroo grande que requer postura de estadista, superior ao nhennhen de livro-texto vocalizado pelo candidato demotucano e ecoado pela mídia correspondente " .[Carta Maior, 08-11]

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