do BLOG DO PLANALTO

Presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff,
com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, na
sede do governo coreano, em Seul. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Viagens internacionaisNo momento atual de crise cambial que o mundo enfrenta, o Brasil está menos preocupado com medidas a serem tomadas para desvalorizar o real do que com as medidas que os americanos tem que tomar para valorizar o dólar, revelou o presidente Lula nesta quinta-feira (11/11) em entrevista coletiva realizada para jornalistas brasileiros e coreanos em Seul, Coreia do Sul, onde se encontra para participar da reunião de cúpula do G20. Após a entrevista, o presidente seguiu para o Museu Nacional da capital coreana, onde está sendo realizado o jantar de trabalho dos Chefes de Estado e de Governo do G20, sob o tema Economia Global e Parâmetros.


Para Lula, é importante encontrar um equilíbrio entre os interesses de cada país para que as decisões tomadas no G20 não representem apenas os anseios das nações mais ricas do mundo, sem levar em conta as necessidades e interesses dos demais países, que têm economias menores e mais frágeis. “Tem que ter um mínimo de conforto e isso só é possível se houver equilíbrio. Não pode ficar cada um tentando resolver só o seu problema, sem levar em conta os reflexos na política de outros países”, disse o presidente brasileiro, que antes da entrevista se encontrou com o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, na sede do governo coreano, acompanhado da presidente eleita Dilma Rousseff, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia), o assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, o governador Cid Gomes (Ceará) e o embaixador brasileiro em Seul, Edmundo Fujita.

Veja o vídeo do encontro de Lula e Dilma com o presidente coreano:











Cada divergência que a gente descobrir (na reunião), nós temos que colocá-la na mesa e negociar, para descobrir o ponto de equilíbrio que precisamos ter, para que o presidente Obama se sinta confortável com a política americana, que o presidente Lula se sinta confortável com a política brasileira, e assim por diante. (…) Nós não podemos, enquanto maiores economia do mundo, tomar uma decisão apenas pensando em nós no G20 sem levar em conta os reflexos que isso pode trazer em outros países que não estão aqui, que são menores, de economias mais frágeis. O G20 não é para cada um se salvar, cada um pra si, e Deus por todos. Não. É todos por todos, e Deus por todos. Somente assim é que vai dar certo.

Ouça aqui a íntegra da declaração do presidente Lula na entrevista coletiva:




Presidente Lula e a presidente eleita Dilma Rousseff chegam
 ao Museu Nacional, em Seul, para jantar de trabalho do G20.
 Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula afirmou ainda, durante a entrevista coletiva, que o dólar não pode continuar sendo a única moeda de referência no mundo. É preciso, disse ele, haver outras possibilidades. “Até porque países que têm altas reservas como a China ou Brasil, nós ficamos dependentes da política de um país de valorizar ou não as nossas reservas”, afirmou.

Lula defendeu o sistema de câmbio flutuante existente hoje no Brasil, descartando qualquer possibilidade de fixá-lo. “Tem que continuar flutuante. O que queremos é que os Estados Unidos valorizem a moeda deles, e não desvalorize como está fazendo hoje para que a moeda dele não fique inflando os mercados emergentes”, afirmou.

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