do CRÔNICAS DO MOTTALonge de querer dar aulas de jornalismo para quem quer que seja. Mas mesmo esse ofício que o Supremo Tribunal Federal julgou que qualquer pessoa pode exercer tem certas regras de ouro, irremovíveis, inegociáveis. Uma delas, se não a mais importante, pelo menos uma das mais básicas, é procurar dilvulgar apenas a verdade factual, algo, como se sabe, extremamente difícil. Justamente por isso é que, numa reportagem, todos os lados devem ser ouvidos, todos os documentos verificados, todas as hipóteses consideradas.
Dá um trabalho danado, mas não há outro jeito. Não é mesmo algo para ser experimentado por diletantes, ou para quem não tem paciência.
A 'barriga' do Estadão no caso Alexandre Padilha, no qual o jornalão baseia uma seríssima denúncia de corrupção num documento falsificado grosseiramente, poderia ficar restrita à contabilidade de uma falha humana, até mesmo justificável pela pressa com que as edições são produzidas, não fosse um detalhe: o jornal se recusa a admitir o erro, numa atitude que vai além da arrogância e do cinismo, que é verdadeiramente esquizofrênica, de quem não consegue ver, ou aceitar, a realidade.
O triste de tudo isso é que esse não é um caso isolado. A cada dia, inteiramente absorvida pelas suas novas funções de partido político de oposição, a imprensa brasileira comete mais e mais absurdos, dando inteira razão a quem a desqualifica.
E, pior para ela, torna mais urgente o amplo debate sobre seus direitos e deveres numa sociedade democrática, que está na agenda do próximo governo, mas que é diariamente recusado, sob alegações claramente desonestas.

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