do BLOG DO MIRO



Por Altamiro Borges

Diante da “revoada nas oposições” – conforme lamentou recente editorial da Folha –, o ex-presidente FHC resolveu defender, pela primeira vez, a fusão do PSDB com os demos. Em debate com os golpistas da Venezuela, na terça-feira (26), ele revelou que o “seu partido discute com o DEM a hipótese da fusão”, informa Josias de Souza, articulista bem alinhado aos tucanos.

Segundo Josias, FHC “lamentou a desfiliação de Walter Feldman, fundador do PSDB”, e criticou os seis vereadores que abandonaram a legenda. Ele lembra que o “DEM, parceiro de infortúnio do tucanato, definha em dimensões federais; já perdeu para o PSD nove deputados e uma senadora”, e ironiza a proposta de FHC. “A fusão PSDB-DEM juntaria o quase nada com a coisa nenhuma”.


Rejeição ou puro jogo de cena

A proposta de FHC, porém, parece que não seduziu os demos. No twitter, o ex-presidente do DEM, Rodrigo Maia, defenestrado por seus pares, berrou: “Proposta de fusão só é boa para o governo”. Já o atual presidente, senador Agripino Maia, garantiu que “a tese da fusão não está na ordem do dia”. E o ruralista Ronaldo Caiado rosnou: “Sem fusão! Vamos dar o exemplo em 2012”.

Das três, uma: ou os demos, orgulhosos, preferem caminhar de cabeça erguida para o inferno; ou tentam manter as aparências; ou temem que a fusão represente, no momento, um atestado de óbito para a oposição demotucana. Intelectuais ouvidos pelo UOL avaliam que, apesar dos obstáculos, a tendência do PSDB de abocanhar o DEM é quase inevitável – é uma questão de tempo!

“Uma questão de sobrevivência”

Para o cientista político Francisco Fonseca, da FGV, “o processo de fusão não é tão simples, nem é desejável pelos partidos, mas é uma questão de sobrevivência”. No mesmo rumo, o sociólogo Bolívar Lamounier, tucano de carteirinha, aprova a proposta do amigo FHC. “A oposição passa por um enfraquecimento. É preciso reaglutinar forças. Qualquer movimento nesse sentido é bom”.

Todos, porém, apontam dificuldades para viabilizar de imediato o projeto. Fábio Wanderley Reis, da UFMG, avalia que a fusão vai desfigurar de vez os tucanos. “O PSDB se viu empurrado para a direita e se aproximou do DEM há muito tempo. A fusão seria um carimbo de direita na testa dos tucanos, e o partido continuaria sem condições de acenar a um público mais amplo”.

Brigas paroquianas e pragmatismo

Há também as disputas paroquianas. O Estadão cita algumas brigas locais que dificultam a fusão: ACM Neto (DEM) versus Jutahy Magalhães (PSDB) na Bahia; o governador tucano Marconi Perillo e o demo Ronaldo Caiado em Goiás; e as escaramuças entre os demos e a ex-governadora gaúcha Yeda Crusius. “Nenhum deles entregaria nem se submeteria ao comando do adversário”.

Por último, algumas razões pragmáticas dificultam a incorporação. Os demos perderiam o tempo de televisão e seriam obrigados a abrir mão de fundo partidário de R$ 20 milhões. E Ilimar Franco, colunista de O Globo, acrescenta outro obstáculo. “As direções do PSDB e do DEM não farão qualquer fusão. Se fizessem, estariam escancarando uma janela, maior que a do PSD, para aqueles que quiseram abandoná-los... Na oposição, calcula-se que, se isso ocorresse, ela perderia um terço de vereadores e prefeitos”.

Ou seja: a situação da oposição demotucana é dramática. Por “uma questão de sobrevivência”, FHC prega a abertamente a fusão. Mas não é nada fácil concretizá-la. Enquanto isto, continua a “revoada nas oposições”.

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