| Khadafi está no poder há mais de 41 anos (Zohra Bensemra/Reuters) |
“A delegação do nosso irmão líder aceitou o plano de paz que lhes apresentámos. Temos agora que dar uma hipótese ao cessar-fogo”, insistiu, em conferência de imprensa em Trípoli, pouco antes de o grupo que encabeça partir para Bengasi, bastião da rebelião na Líbia Oriental, onde os mediadores da UA deverão encontrar-se também com os líderes rebeldes.
Além do cessar-fogo por parte das forças leais a Khadafi e da suspensão dos ataques aéreos da NATO, a proposta da União Africana contempla ainda, nos pontos principais, a prestação sem obstáculos da ajuda humanitária em todo o país, a protecção dos cidadãos estrangeiros e a abertura de diálogo entre o Governo líbio e os rebeldes visando um acordo político para acabar com o conflito.
Anteriores ofertas de cessação das hostilidades incluindo três declarações unilaterais de cessar-fogo feitas pelo regime líbio nas últimas três semanas, desde o início dos raides dos aliados, a 19 de Março, mandatados pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para “proteger as vidas de civis”, jamais se concretizaram no terreno.
Questionado se o plano proposto pela União Africana contempla o cenário de afastamento de Khadafi do poder (que exerce há mais de 41 anos), o alto comissário da UA para a Paz e Segurança, Ramtane Lamamra, referiu apenas que “houve alguma discussão [nesse sentido]”. “Mas não posso dar informações sobre conversações confidenciais, primeiro porque não participei nelas e, depois, porque creio que devem manter-se confidenciais entre as partes envolvidas”, sublinhou aquela mesma fonte, em declarações à agência noticiosa britânica Reuters.
Do lado da rebelião a posição permanece intransigente em que nenhum acordo é possível sem o fim do regime de Khadafi. Ouvido pela BBC, o representante da liderança da rebelião líbia no Reino Unido, Guma al-Gamaty, asseverou que nenhum plano será aceite se permitir a permanência de Khadafi no poder ou a passagem do mesmo para os seus filhos.
Al-Gamaty notou ainda que a rebelião vai “analisar cuidadosamente” esta proposta da UA, expressando aqui também a desconfiança com que os rebeldes olham para a delegação liderada por Zuma, que consideram demasiado solidária com o regime líbio.
Já em Bengasi, o porta-voz dos rebeldes, Mustafa Gheriani, insistiu que a queda do regime de Khadafi é uma questão inegociável e que, antes de qualquer cessar-fogo ser aceite, as tropas do líder líbio têm que se retirar das ruas e a liberdade de expressão respeitada no país. “O povo líbio já deixou muito claro que Khadafi tem que se demitir. Mas vamos avaliar a proposta assim que tivermos mais pormenores sobre a mesma”, avançou à Reuters, antes da chegada da delegação da UA à cidade.
Gheriani sublinhou ainda estar “surpreendido” com as declarações de Zuma nas quais o líder da delegação da UA sugeria não acompanhar os restantes membros a Bengasi. “Perguntamo-nos porque que é que Zuma não vem cá”, afirmou.
Chamseddine Adbelmaoula, responsável do Conselho Nacional de Transição – CNT, a “cara política” da rebelião que pretende afirmar-se como Governo transitório num cenário pós-Khadafi – insistiu que qualquer plano de conciliação deve permitir que “as pessoas possam sair à ruas para exprimir a sua opinião”. “Se o povo se sentir livre para ir manifestar-se em Trípoli, creio que toda a Líbia será então liberada em muito pouco tempo”, estimou em declarações à agência noticiosa francesa AFP.Este líder do CNT frisou ainda que os rebeldes exigem a libertação das várias centenas de pessoas que desapareceram desde logo a fase inicial da rebelião, quando várias cidades do país assistiram, a partir de 17 de Fevereiro, a manifestações pacíficas maciças contra o regime de Khadafi.
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