Foi, juntamente com a luta contra a presença ianque nas ilhas de Okinawa, a maior manifestação dos últimos anos no país. Países vizinhos começam a impor restrições à importação de produtos japoneses e a emitir avisos.
POR TOMI MORI
Manifestação anti-nuclear em Tóquio, 10 de Abril de 2011 – Foto de Christopher Jue/Epa/Lusa
Manifestação anti-nuclear em Tóquio,
10 de Abril de 2011 – Foto de Christopher Jue/Epa/Lusa
Foi necessário uma das maiores tragédias nucleares para que os japoneses retomassem a luta anti-nuclear, praticamente abandonada nos últimos anos.


No domingo, gritando palavras-de-ordem, ao som dos tambores, mais de 15 mil manifestantes tomaram as ruas de Tóquio. É, juntamente com a luta contra a presença ianque nas ilhas de Okinawa, a maior manifestação de massas dos últimos anos no país.

Após o bombardeamento de Hiroshima e Nagasaki, na segunda Guerra Mundial, a vanguarda mais esclarecida da sociedade japonesa protagonizou uma forte luta contra as armas nucleares. Mas, apesar da trágica experiência, isso não impediu que a burguesia imperialista japonesa instalasse no pais nada menos de 55 reactores nucleares, que se transformaram numa espécie de bomba relógio que ninguém sabe quando irá explodir.

A manifestação de domingo, que contou com a participação da juventude e de uma grande quantidade de mulheres e também com a presença de crianças, parece ser o despertar lento da consciência anti-nuclear japonesa. Depois do 11 de Março ocorreram apenas algumas pequenas manifestações. Um mês após a tragédia, as incertezas continuam. E, apesar de toda a falta de informação confiável na imprensa japonesa, parece que estamos a presenciar a retomada histórica da luta anti-nuclear japonesa.

A recente decisão de despejar água radioactiva no mar gerou toda uma série de transtornos. Na Coreia do Sul, políticos declararam que o Japão tem sido "incompetente" no tratamento da questão. É uma critica bastante virulenta em se tratando da Coreia do Sul. Além disso, os coreanos foram obrigados a não deixar os filhos irem a pé para a escola, temendo a radiação vinda do Japão, o que causou, inclusive, congestionamento do tráfego no país. A Índia baniu a importação de produtos alimentares por três meses. A China impôs uma serie de restrições à importação. No sábado, mesmo nas Filipinas, depois de um período sem chuvas, o governo aconselhou a população a não andar à chuva por esta conter radioactividade, "inofensiva" para os japonesas, mas "preocupante" para os vizinhos.

Todos esses pequenos dados nos levam a crer que esta luta não é só dos trabalhadores e jovens de Tóquio, mas um problema internacional e, como tal, merece também uma mobilização internacional contra a ameaça nuclear.


Sobre o autor

Tomi Mori
Correspondente em Tóquio do Esquerda.net http://www.twitter.com/tomimorijapan

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