O jornalista Alec Duarte, editor-assistente de política da Folha de S.Paulo, e a repórter Carol Rocha, do Agora SP, foram demitidos do Grupo Folha por postarem comentários no Twitter a respeito do jornal. Os dois comentavam a morte de José Alencar, ex-vice-presidente, que morreu no dia 29/3.
“Nunca um obituário esteve tão pronto. É só apertar o botão”, comentou o editor-assistente da Folha, sem citar nomes.
“Mas na Folha.com nada ainda… esqueceram de apertar o botão. rs”, respondeu a repórter do Agora.
Alec então lembrou do erro do jornal, que noticiou erroneamente a morte do senador Romeu Tuma, em outubro de 2010. “Ah sim, a melhor orientação ever. O último a dar qualquer morte. É o preço por um erro gravíssimo.”
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Alec Duarte foi disreto. Não disse palavra sobre a demissão no seu blog ou no Twitter. Nem ao Comunique-se ou qualquer outro blog. Limitou-se a um post discreto sobre a questão dos obituários em seu site.
Já a jornalista Carolina Rocha é das nossas. Escancarou o caso todo no seu blog, falou abertamente de toda a polêmica, inclusive do lado pessoal/familiar, abriu a troca de emails com a ombudsman, publicou na íntegra o material da coluna de Susana Singer etc. Vale a leitura, confira aqui.
Cá entre nós: essa história de deixar obituário pronto é mais velha do que andar pra frente. E que jornalista é urubu então… Quando eu era editor em um jornal popular, há mais de 10 anos, diariamente ligávamos pros médicos do então cantor sertanejo Leandro para saber da evolução do seu câncer. Teve até chamada de capa informando que o tumor já estava “do tamanho de uma laranja”. Não me orgulho disso, mas é assim que é, em maior ou menor grau, em qualquer redação do mundo. Não dá pra ser hipócrita. É aquele velha história, jornal é como salsicha: todo mundo acha gostoso, mas se as pessoas soubessem como é feito, ninguém mais comia (nem lia).
Compreendo que empresas não gostem de ver funcionários falando mal delas no twitter, FB etc. Agora uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa. Esse assunto pooderia ter sido resolvido internamente, e sem demissões. A Folha expôs os dois jornalistas na edição de domingo por conta de um comentário inocente no twitter e, no dia seguinte, em vez de, por exemplo, dar um puxão de orelha, mandou os dois direto pra rua. Coisas do Jornal do “Futuro”.
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