Por volta das 22:30 hs., no SBT, termina o programa do Ratinho. Ainda tive tempo de ver os últimos instantes do programa. O apresentador intermediava aquilo que se convencionou popularmente dizer “barraco” entre um casal. O auditório do programa vibrava.
O público do SBT é composto, essencialmente, pelas classes C e D. Essas são as pessoas que precisam ser informadas sobre o que aconteceu no Brasil há 47 anos e durante os vinte anos seguintes, e esse é o público que, em seguida ao Ratinho, assistirá à novela Amor e Revolução.
Os vencedores da guerra da comunicação – porque compraram toda ela – impediram, durante décadas a fio, que o povão soubesse da verdade. E, para não açular a reação das vítimas sobreviventes da ditadura, estabeleceram uma paz dos cemitérios, silenciosa e injusta.
Esse público foi e continua sendo mantido infantilizado por uma programação que o trata como criança, com cultos bobocas às idiossincrasias narcisistas das celebridades e outras atrações do gênero. Não adianta fazer uma teledramaturgia profunda para ele.
Contudo, uma história não muda devido à forma pela qual é contada se os fatos forem respeitados. Importa se os diálogos não são shakespearianos, se mostram o que aconteceu neste país e que jamais permitiram que fosse contado num grande meio de comunicação?
Ao fim do capítulo de quarta-feira, 13 de abril de 2011, o depoimento foi de Julio Senra, outro ex-torturado político. Após narrar as sevícias de que foi vítima, disse exatamente isso: a seus filhos e a seus netos, essa história não foi contada.
Assistir a essa novela é um tanto quanto desagradável para quem aprecia a literatura, a dramaturgia, as artes. De seu ponto de vista, é fraca. Todavia, Amor e Revolução não foi feita para esses. Até porque, já sabem da história – reconhecendo ou não os fatos sobre ela.
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