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| Após ler cuidadosamente as cartilhas do MEC, Tiririca pleiteou o seu protagonismo no uso da norma inculta e também pediu seu fardão |
ESTOCOLMO – Sagrado imortal na eleição de ontem para a cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras, o jornalista Merval Pereira anunciou que o Brasil já não lhe basta. Fontes próximas ao novo acadêmico garantem que ele pretende concorrer ao Nobel de Literatura. O presidente da ABL, Marcos Vinícius Vilaça, se mostrou disposto a endossar sua candidatura: “Agora que seu talento foi reconhecido dentro de nossas fronteiras, é natural que Merval Pereira postule a láurea máxima da literatura mundial”, explicou. A seguir, Vilaça se esquivou de citar o título de pelo menos uma obra escrita pelo novo acadêmico. “Por que não falarmos da poesia de Ledo Ivo?”, desconversou.
O acadêmico José Sarney se dispôs a fazer lobby por Merval junto à Academia Sueca, em troca de algumas cadeiras para o PMDB nas próximas vacâncias na ABL. Especula-se que o autor de Marimbondos de Fogo queira indicar o vice-presidente Michel Temer, cuja fúria trágica e vigor dramatúrgico serão reconhecidos pela nação assim que a gráfica do Senado lançar a íntegra de suas conversas telefônicas com a presidenta Dilma Rousseff.
Em comentário para um telejornal noturno, o cineasta Arnaldo Jabor festejou a eleição do jornalista. “Acerta a ABL ao trazer para seus círculos um escritor brilhante, formado num tempo nostálgico em que os colunistas datilografavam em laudas de papel, os jornais eram compostos em linotipos e o Rio de Janeiro rompia em samba e brejeirice à mínima presença de uma grua”, devaneou.
Depois de passar uma tarde na Cinelândia em busca de alguém que já tivesse lido um livro do novo acadêmico, o Jornal Nacional acabou por encontrar um leitor que preferiu não se identificar. Com uma tarja tapando seus olhos e a voz distorcida por recursos eletrônicos, ele declarou: “O Lulismo no Poder é uma das pérolas do nosso ensaísmo, à altura dos grandes intérpretes do Brasil. O leitor cultivado não terá dificuldade para identificar ali ecos de Sergio Buarque de Hollanda e Caio Prado Junior”, disse o popular que, ao prosseguir – “É exímia a prosa deste artífice do idioma...” –, engasgou-se com o texto que lia no teleprompter, tendo tempo apenas para perguntar “Ficou bom?”.
Em protesto contra a eleição do jornalista, Kléber Bam-Bam armou um acampamento diante da sede da ABL. O ex-BBB postula uma cadeira na instituição. Para reforçar sua candidatura, distribuiu a acadêmicos e transeuntes cópias dos dois volumes de Faz Parte, que reúne reflexões psicografadas por ele durante os três meses em que esteve confinado numa casa em Jacarepaguá.

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